<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-3429648780791513396</id><updated>2011-04-21T19:06:22.745Z</updated><title type='text'>Paranomásia.</title><subtitle type='html'>Palavras semelhantes no som, mas diversas no significado.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://paronimas.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3429648780791513396/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paronimas.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>[lunatic]</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07153531753622211031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://hgwells.com.sapo.pt/The_Angst____by_Kitto.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>49</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3429648780791513396.post-8257915400044402593</id><published>2007-09-21T13:11:00.001Z</published><updated>2007-09-21T13:44:28.752Z</updated><title type='text'>O sonho</title><content type='html'>Antes cabiam os avós, os pais, os tios, os primos, os irmãos, os cães, os gatos, os amigos, os inimigos, os trabalhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só não havia espaço para a pessoa.&lt;br /&gt;Então ela arranjou um sonho. E com ele podia fechar os olhos e existir.&lt;br /&gt;E dentro do sonho havia um quarto, uma rua, um jardim; e era tudo dela - só dela e de mais ninguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando o mundo se tornava exaustivo de mais, e a multidão a comprimia à inexistência, a pessoa fechava os olhos e lá estava: o mesmo quarto, a mesma rua, o jardim: tão certos e concretos como ela, que do outro lado se sentia destroçada e semitransparente. Ali a pessoa existia, e quando chovia dançava na rua, de noite tomava banho com a janela aberta e gritava até que a sua voz fazia esvoaçar as pombas. Amava cada pedra, cada insecto que criou no seu mundo de sonho. Construiu a rua, casa a casa, e aos poucos imaginou pessoas - que moravam nas suas próprias casas mas que nunca delas saiam, e que ela espreitava pelas janelas e entre as cortinas para ver como viviam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E irritava-se, quando do lado de fora poisavam a mão sobre o seu ombro e lhe perguntavam qualquer coisa. Raramente ela queria responder, e raramente a percebiam quando respondia. Apetecia-lhe chorar, por ela e pelos outros tantos: porque cá fora a sua vida desdobrava-se em muitas, tanto dela como dos outros, e a pessoa sofria com os problemas dela e com os dos outros. Apesar disso, não se ria com as felicidades de todos. Aliás, mesmo quando todos os outros estavam felizes, ela pensava em motivos para chorar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E no seu sonho, continuava a poder existir. Era genuinamente feliz, como diziam ser impossível.&lt;br /&gt;Foi assim que a pessoa decidiu deixar de viver. Porque se fechasse os olhos para sempre, habitaria eternamente o seu sonho. Matou-se da maneira mais fácil, e enquanto poisava as pestanas escutou pela última vez os soluços da avó, do pai, da mãe, dos primos, dos irmãos, dos tios. Mas não importava, a pessoa sabia que eles tinham aquela maneira rápida e produtiva de acordar de manhã e viver, mesmo que embatendo uns nos outros de vez em quando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No seu sonho tudo permanecia igual. Foi infindavelmente feliz. Não precisava de dormir, nem de comer; andava descalça e nua, dançava sem vergonha, andava ao pé-coxinho. Um dia deu por si ligeiramente entediada e correu até à última casa que tinha criado antes de morrer. Observou atentamente tudo o que a pessoa fazia, até ao mínimo detalhe. Mas sabia, porque estas eram as suas próprias regras, que jamais podia trespassar a fina barreira de cimento que os separava. Mesmo que tentasse, (e tentou, mais tarde), as barreiras que ela tinha cimentado não se desmoronavam, e na sua morte lívida abdicou do poder de construir sonhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque só os vivos construíam sonhos e habitavam neles voluntariamente. Agora que já não sentia com clareza as veias a palpitarem-lhe no pulso, sentiu falta da mão de alguém no seu ombro. E das vozes que lhe causavam enxaquecas. A pessoa (que já não era pessoa) apercebeu-se que era um espírito. Quando fechava os olhos não sonhava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escreveu na palma da mão para nunca mais se esquecer:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;homem: animal com duas pernas que sonha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;"&lt;i&gt;Meu deus, um instante de felicidade, não basta já para uma vida inteira?&lt;/i&gt;"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;font-style:italic&gt;Dostoievski&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3429648780791513396-8257915400044402593?l=paronimas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paronimas.blogspot.com/feeds/8257915400044402593/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3429648780791513396&amp;postID=8257915400044402593' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3429648780791513396/posts/default/8257915400044402593'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3429648780791513396/posts/default/8257915400044402593'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paronimas.blogspot.com/2007/09/o-sonho.html' title='O sonho'/><author><name>[lunatic]</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07153531753622211031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://hgwells.com.sapo.pt/The_Angst____by_Kitto.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3429648780791513396.post-3689681032673010619</id><published>2007-09-21T12:36:00.000Z</published><updated>2007-09-21T13:10:17.549Z</updated><title type='text'>Recomeço</title><content type='html'>O dia nasceu asfixiado e embalado na surdina. Nem uma folha se atrevia a cair (apesar do Outono que as urgia a casar com a terra). O silêncio elevava a loucos os pequenos seres que acordavam com aquela madrugada. Mas nem um raio de sol se via a iluminar os barcos, e nenhuma gaivota acordava ruidosamente os pescadores. Tudo dormia naquela manhã - inclusive as pessoas que, forçosamente levantadas, caminhavam como mortos-vivos pelo porto: cambaleando, de olhos semicerrados e compactuando silenciosamente com a calma do dia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessa noite tinha rebentado uma tempestade - a maior que presidia nas mentes recém-acordadas dos trabalhadores: as ondas raivosas competiam com os trovões, rebentando contra o cais com um barulho que ecoava entre os pilares, e as casas, e os sonhos das poucas pessoas que dormiam. A chuva atacava os telhados e os canos vazios como pedras;  e desfazia,  numa papa arenosa,  o sal brilhante amontoado à porta das salinas. Não se ouviam os morcegos, nem os peixes escondidos debaixo da turbulência, só a violência do mar contra as pedras, e por vezes contra os armazéns à beira-mar. As gruas guinchavam com o vento que chocava contra as suas correntes e as faziam balançar com um rugido metálico. Os lobos-do-mar, com as barbas grisalhas húmidas de cerveja, esperavam pacientemente que a tormenta passasse. Sabiam que a raiva do mar é histérica, e que, mais cedo ou mais tarde, o sol possuí-la-ia com o seu pulso forte e quente. Então agarravam mais uma, e outra garrafa castanha, e bebiam em goles grossos a cerveja fresca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mar despertou gelado e transparente, mas tão quieto que se podia jurar que seria possível caminhar sobre ele. E foi quando as mulheres caminhavam em passos curtos para a igreja que o primeiro raio de sol brilhou ao longe, sobre um ponto inacessível do oceano. E ao longe outro, e outro, abriam brechas de algodão nas nuvens e doiravam o ar. O vento nasceu numa brisa segura e soprou as nuvens para os montes. As gaivotas abriram as asas e planaram sobre os cardumes, e depois, de barriga cheia, gritaram aos motores que vibravam na água. As mulheres enchiam com os seus risos agudos os quintais, e no ramo de uma árvore, uma borboleta-monarca desamachucava as sedosas asas. Dentro em pouco podia voar.  Só mais uns minutos ao sol. Só mais uns instantes. Pequenos estalidos e...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;voou...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3429648780791513396-3689681032673010619?l=paronimas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paronimas.blogspot.com/feeds/3689681032673010619/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3429648780791513396&amp;postID=3689681032673010619' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3429648780791513396/posts/default/3689681032673010619'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3429648780791513396/posts/default/3689681032673010619'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paronimas.blogspot.com/2007/09/recomeo.html' title='Recomeço'/><author><name>[lunatic]</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07153531753622211031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://hgwells.com.sapo.pt/The_Angst____by_Kitto.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3429648780791513396.post-315611354997159284</id><published>2007-09-19T09:21:00.000Z</published><updated>2007-09-19T09:22:09.363Z</updated><title type='text'>The Shadow Sea</title><content type='html'>&lt;span style="color:#000066;"&gt;Too many rocks&lt;br /&gt;Not enough breeze&lt;br /&gt;To sail on out&lt;br /&gt;Of your shadow seas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Too many sails&lt;br /&gt;Not enough breeze&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Of your shadow seas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;To sail on out&lt;br /&gt;Of your shadow seas&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(patrick Wolf)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3429648780791513396-315611354997159284?l=paronimas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paronimas.blogspot.com/feeds/315611354997159284/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3429648780791513396&amp;postID=315611354997159284' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3429648780791513396/posts/default/315611354997159284'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3429648780791513396/posts/default/315611354997159284'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paronimas.blogspot.com/2007/09/shadow-sea.html' title='The Shadow Sea'/><author><name>[lunatic]</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07153531753622211031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://hgwells.com.sapo.pt/The_Angst____by_Kitto.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3429648780791513396.post-4289633583826556135</id><published>2007-09-18T11:45:00.000Z</published><updated>2007-09-18T12:06:37.403Z</updated><title type='text'>Impotência</title><content type='html'>Quem me dera ser como a música Cakewalking, dos YMG. Simples, directa, e no entanto profunda. Soa mal, não soa? Aww… disse que eu sou complicada, e eu sei que sou complicada e no entanto quem me dera que tivesse dito – Não, acho-te relativamente simples (mesmo depois disto, não se acanhem em dizê-lo). Quem me dera que não tivesse franzido os olhos e a testa, quem me dera que não tivesse murmurado qualquer coisa entre olhares, do género “Esquece.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como é que eu posso esquecer que há quem não goste de mim por uma maneira de estar involuntária, que existe em mim contra a minha própria vontade?&lt;br /&gt;E eu juro-te, juro-te que sou boa pessoa. E juro que não sou uma má pessoa a dizer que sou boa pessoa só para te enganar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E de alguma forma, ele não acredita. Abre as asas de plástico e voa para outros vinis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3429648780791513396-4289633583826556135?l=paronimas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paronimas.blogspot.com/feeds/4289633583826556135/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3429648780791513396&amp;postID=4289633583826556135' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3429648780791513396/posts/default/4289633583826556135'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3429648780791513396/posts/default/4289633583826556135'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paronimas.blogspot.com/2007/09/impotncia.html' title='Impotência'/><author><name>[lunatic]</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07153531753622211031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://hgwells.com.sapo.pt/The_Angst____by_Kitto.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3429648780791513396.post-4369009013841055989</id><published>2007-09-04T07:55:00.000Z</published><updated>2007-09-04T08:45:42.777Z</updated><title type='text'>Bifurcação</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;Ela acordou. Acordou, de repente, como se nunca tivesse adormecido. Não se lembrava sequer de ter encostado a cabeça à almofada - e no entanto, lá estava, afundada nas penas de pato. Dentro da sua cabeça decorria uma conversa interminável consigo mesma, mas os ouvidos (internos) molestados doíam como se tivessem estado encostados ao altifalante do telefone por tempo demais. Tentou perceber, no seu estado de perfeita sobriedade lúcida,  o diálogo (que tão energéticamente lhe atravessava a cabeça de eixo a eixo). Mas sentia a pressão do crânio áspero contra a pele húmida e  &lt;br /&gt;escorregadia. O longo sorriso que sempre lhe marcava o rosto comprido tentou&lt;br /&gt;alterar-se, sem êxito.&lt;br /&gt;Esforçou*se novamente por compreender as palavras, mas eram proferidas com tal&lt;br /&gt;velocidade que só captava sílabas distantes umas das outras. &lt;br /&gt;Sempre que lhe parecia captar o significado de uma frase, &lt;br /&gt;outras sílabas surgiam que mergulhavam o seu sentido numa sopa de letras. &lt;br /&gt;Os olhos alargaram-se, escureceram, eespreitou para fora da cama.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O relógio estava colocado estratégicamente na mesa-de-cabeçeira. Tinha um rebordo vermelho, o fundo branco, e todos os números estavam ao&lt;br /&gt;contrário daquilo que seria de esperar. E os próprios ponteiros mergulhavam no fundo&lt;br /&gt;branco de segundo a segundo, voltando a reaparecer com um barulhento (e confortável)&lt;br /&gt;- riing; rooong; riiing; rooong.&lt;br /&gt;Ainda faltavam muitas horas, no entanto, para o despertador tocar. &lt;br /&gt;Até o seu flamingo azul, conhecido por ser  madrugador, ainda estava com a cabeça &lt;br /&gt;completamente entrerrada na areia castanha. Mas ela sabia que não valia a pena voltar a dormir, &lt;br /&gt;e esticou a barbatana tensa para fora das mantas.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá fora na rua as borboletas já esvoaçavam dentro das suas bolhas coloridas. Subiam, subiam, subiam... E perguntou às duas vozes que discutiam dentro de si se sabiam  para onde é que iam as borboletas. Mas as vozes pararam apenas por um momento, como quem lança um olhar de indignação, e depressa voltaram a encher-lhe o cérebro com guinchos e palavras. Parou ali por momentos, a imaginar as borboletas a chegar à suberfície do oceano e as suas bolhas de espuma pintada a explodir no ar azul, espalhando as cores nos arco-íris, do céu ao nascer do sol. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E foi sí que soube: queria vê-lo. Queria ver as borboletas e até onde é que elas iam, queria sentir os raios dourados do sol aquecerem com o nascer do dia e a terra estalar com o frio e o orvalho gelado com o renascer da noite. Queria engolir aquele oxigénio mais puro perto das macieiras sobre as quais tanto tinha ouvido o avô falar. Os olhos alargaram-se ainda mais e ficaram ainda mais negros, e imaginou repetidamente a cena: ela, saltando pela gravidade, esticando o bico para com ele apanhar as maçãs e mastigar o seu sumo por entre os seus duzentos dentes brilhantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escapuliu-se pela janela tão rápido como uma bala: o seu corpo escorregadio mal sentia os arranhões do sal. Subiu, subiu - passou pelos sofás que esbracejavam como plantas lentas sem pestanejar, atravessou a superfície e saltou. Mas nada. Nem de um lado, nem do outro: só o eterno oceano e as borboletas a marcarem estrelas lá em cima. Caíu pesadamente na água, deu uma volta e saltou com todo o impulso que conseguiu. Saltou mais alto, e mais alto, repetidamente, incansávelmente, em vão. Saltou à velocidade que as vozes falavam, maquinalmente, repetidamente, sempre de olhos no orizonte: e nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E foi assim que deu o mais maravilhoso salto de todos os tempos. Foi verdadeiramente um salto colossal. O seu corpo ergueu-se no ar e subiu em arco, o vento parou, as gotas brancas nem tiveram tempo de cair. E, no exacto momento em que alcançou o extâse do seu salto e procurava um horizonte inexistente, quando a decepção lhe subia aos olhos em lágrimas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mergulhou num espelho colocado bem acima da superfície do mar. O espelho chupou-o e engoliu-o como gelatina. O mundo deu a volta e caíu de novo na água. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A menina puchou os cabelos loiros para trás e arregalou os olhos:&lt;br /&gt;- Mãe, mãe! Olha, olha! Um golfiiinho... De onde é que ele veio?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas ela não fazia ideia que vinha do lugar onde os mundos se bifurcam.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3429648780791513396-4369009013841055989?l=paronimas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paronimas.blogspot.com/feeds/4369009013841055989/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3429648780791513396&amp;postID=4369009013841055989' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3429648780791513396/posts/default/4369009013841055989'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3429648780791513396/posts/default/4369009013841055989'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paronimas.blogspot.com/2007/09/ela-acordou.html' title='Bifurcação'/><author><name>[lunatic]</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07153531753622211031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://hgwells.com.sapo.pt/The_Angst____by_Kitto.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3429648780791513396.post-6014090272673152949</id><published>2007-08-28T01:13:00.000Z</published><updated>2007-08-29T21:32:25.339Z</updated><title type='text'>Complicada</title><content type='html'>Larga-me do redor do teu abraço,&lt;br /&gt;Do odor baço dos teus beijos,&lt;br /&gt;Do calor do teu pescoço.&lt;br /&gt;Joga-me ao poço das amarguras&lt;br /&gt;Onde eu possa sentir o fundo e desejar ternuras&lt;br /&gt;As mesmas que tu almejas oferecer mas escondes&lt;br /&gt;As que dás mas que te arrependes&lt;br /&gt;Porque eu disse que não as quero.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3429648780791513396-6014090272673152949?l=paronimas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paronimas.blogspot.com/feeds/6014090272673152949/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3429648780791513396&amp;postID=6014090272673152949' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3429648780791513396/posts/default/6014090272673152949'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3429648780791513396/posts/default/6014090272673152949'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paronimas.blogspot.com/2007/08/complicada.html' title='Complicada'/><author><name>[lunatic]</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07153531753622211031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://hgwells.com.sapo.pt/The_Angst____by_Kitto.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3429648780791513396.post-836662099670421399</id><published>2007-08-28T01:00:00.000Z</published><updated>2007-08-28T01:11:24.344Z</updated><title type='text'>Roubaram-me.</title><content type='html'>Aquela era a minha canção. Não era nem a primeira, nem a última das canções da lista. Estava escondida no meio, como um segredo bem guardado. Não era assim tão melódicamente diferente das outras. E no entanto, como um segredo subliminar, algo naquela música despertou a minha atenção - era daquelas músicas desconhecidas para os outros, uma música que conhecia de cor, desde os instrumentos ás variações de voz da cantora. Nem vos sei dizer quantas vezes a cantei, repetidamente, pela boca ou pelo cérebro. Ninguém mais a conhecia ou gostava dela tanto quanto eu. Tinha arrepios na espinha só de prever o seu som. E no entanto, gradualmente, deixei de a ouvir. No meu mp3, outros cds a substituiram. Mas ela estava sempre na minha cabeça, um amor adiado, acreditem!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;Foi hoje que a vi de novo.&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;As suas letras brutalmente expostas no messenger mais comum.&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;Como se pertencessem a outra pessoa qualquer.&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;Como posso explicar a raiva, o ciúme, a inveja... como lhe posso dizer que não pode ouvi-la, adorá-la, pronunciá-la e dissecá-la assim, como eu já fiz?&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;A verdade sei-a bem. Ela não me pertence. Mas continuo a pensar que sim. E por momentos imagino que, anteriormente, já alguém a tiha escutado e possuído. Talvez seja esse mesmo o seu destino, pousar de ouvido em ouvido, sendo amada por todos à vez. A quem será que roubei eu aquela música? &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3429648780791513396-836662099670421399?l=paronimas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paronimas.blogspot.com/feeds/836662099670421399/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3429648780791513396&amp;postID=836662099670421399' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3429648780791513396/posts/default/836662099670421399'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3429648780791513396/posts/default/836662099670421399'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paronimas.blogspot.com/2007/08/roubaram-me.html' title='Roubaram-me.'/><author><name>[lunatic]</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07153531753622211031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://hgwells.com.sapo.pt/The_Angst____by_Kitto.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3429648780791513396.post-6823429563899381304</id><published>2007-08-27T17:09:00.000Z</published><updated>2007-08-27T17:52:44.724Z</updated><title type='text'>Comprimidos Mágicos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Sentada no chão, encostou-se pesadamente na lateral da cama, abrindo os braços. Os seus dedos e a palma da mão, extra-sensibilizados pelos comprimidos, irritaram-se com a superfície áspera da colcha de flores. Por momentos sentiu-se tão leve que nem todas as suas forças conseguiram manter a cabeça direita, e esta pendeu devagar para trás, numa posição que seria normalmente desconfortável mas que agora era inevitável. Sentia uma fina camada de suor colar-lhe as dobras do corpo umas às outras, ao chão; e pequenas gotas de vapor acumulavam-se nos seios cónicos pendendo dos mamilos nus e arrepiados. A náusea ciclica misturava-se com uma agradável dor nas têmporas. Apesar de estar completamente apoiada na sua cama, sentia o corpo e o quarto a andar às voltas, como te as suas tonturas se expandissem a todo o mundo que, fundido com ela, girasse obliquamente. Tinha a impressão que por baixo dela, e espreitando ameaçadoramente por entre os tacos de madeira, um gigantesco buraco de raios liláses brilhantes se preparava para a engolir e a tudo o que existia. Mas apesar do medo, uma sensação de paz e tranquilidade atrasavam a sua respiração. Foi com a boca largamente aberta, procurando aspirar todo o oxigénio do ar, que viu uma rapariga encostada à porta. Usava um vestido curto de mais para a sua largura de pernas, cujo cabedal se enrugava à volta das coxas e nos círculos dos seios. O joelho esquerdo estava ligeiramente flectido, e fumava um cigarro da maneira mais sexy que já tinha visto. Os seus lábios redondos escarlate chupavam o tabaco deliciadamente e depois expelia o fumo pelo nariz, que subia em espirais e parecia prender-se no seu cabelo negro curto e espetado. Ela sorria sarcasticamente, mas não foi capaz de perceber de que cor eram os seus olhos. Sabia que era impossível estar ali alguém. Quando finalmente conseguiu virar a cabeça para o outro lado, ouviu as ruidosas gargalhadas da rapariga. Ria-se alto como se alguém acabasse dedizer uma piada, como se delizasse pela parede e caísse no chão, descontrolada. Os seus risos elevaram-se no ar e subiram de tom até que já não eram risos mas uma sirene ensurdecedoura. Quando voltou a olhar, só havia a velha parede branca. E foi quando a maçaneta rodou, e viu a sapatilha de um homem a espreitar atrás da porta. Conhecia aquela sapatilha de algum lado, mas não se conseguiu lembrar de onde.  A dor nas têmporas aumentou e cheirou-lhe a lixo. O homem aproximou-se rápido demais para que conseguisse focar-lhe a cara, pegou-lhe no queixo com uma mão fria e beijou-a longamente. Ela esforçou-se por sentir os seus lábios, mas tinha a impressão que mesmo a bouca tinha voado para outro lado e pairava sobre eles, junto ao candeeiro. Só sentia a mão a segurar-lhe o rosto, rigidamente, e tinha a certeza que o polegar a apertava tanto que já lhe tinha furado a pele, trespassando-a até ao osso. Ele pegou-lhe cuidadosamente como a um bebé, e ela deixou-se levar, com o corpo mole e os pés e a cabeça caindo do seu regaço. Poisou-a na cama, nua como estava, e despiu-se. Ela não conseguia mover-se e muito menos abrir os olhos, mas escutou as fibras da camisola esticarem-se, eo feixo das calças abrir com dificuldade, a roupa a cair no chão. Ele deitou-se ao seu lado, com uma perna a entrelaçar-se na sua, e o seu corpo estava frio de mais. Lembra-se de pensar que dos seus beijos só sentia a pressão na pele. Era como se fosse uma concha que pairasse vazia, como se o seu espírito voasse por outros planetas enquanto o seu corpo balançava, suado, nas mãos do homem. Uma caímbra fortíssima paralisou-lhe todo o joelho esquerdo e quando tentou lá chegar deu-se conta de que ainda estava encostada à cama, com as nádegas pegajosas e as mãos estendidas. Sentia-se mal-disposta, mas menos tonta. Sentia-se livre. Mas já não tão livre, e os pés e o estômago urgiram-na a levantar-se e ir até à cozinha beber um copo de água. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sentada nua, na cadeira forrada, pensava como seria mais fácil se pudesse falar com alguém. Se pudesse contar, mesmo a uma única pessoa, o que se passava. E sabia que gostavam dela o suficiente para a ouvir. E no entanto, sabia também que passado um mês de tudo aquilo, o peso da sua vida seria demais para eles. O peso do seu pensamento. É por isso que uma vez por semana, sentada no chão de madeira do seu apartamento, a rapariga toma os comprimidos mágicos anti-gravidade que elevam os seus pensamentos às estrelas, de onde esvoaçam rapidamente, até à semana que vem.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3429648780791513396-6823429563899381304?l=paronimas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paronimas.blogspot.com/feeds/6823429563899381304/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3429648780791513396&amp;postID=6823429563899381304' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3429648780791513396/posts/default/6823429563899381304'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3429648780791513396/posts/default/6823429563899381304'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paronimas.blogspot.com/2007/08/comprimidos-mgicos.html' title='Comprimidos Mágicos'/><author><name>[lunatic]</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07153531753622211031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://hgwells.com.sapo.pt/The_Angst____by_Kitto.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3429648780791513396.post-6810906531143882625</id><published>2007-08-26T13:04:00.000Z</published><updated>2007-08-26T14:03:11.248Z</updated><title type='text'>O morto-vivo</title><content type='html'>Todos os homens no mundo querem mais do que aquilo que têm. E esta frase-cliché nunca foi mais verdadeira do que nos olhos pálidos do meu pai. Mesmo que os meus focassem a lua-cheia incansávelmente, sentindo apenas o irregular movimento da paisagem alterando os lados da janela - eu sentia os seus olhos extraordinariamente abertos - uma massa branca com uma gota verde-ardósia no centro, por trás dos grandes óculos de aros dourados. Estava escuro, e por isso não sei se chorava - talvez chorasse por dentro, e provavelmente mais tarde - com aquela força que tem de falar com a voz firme quando se desfaz por dentro (isto dito, sempre).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O peso de tudo aquilo que é invisível (a sociedade, os costumes, os astros e deus) caíram-lhe em cima com o peso do absoluto e esmagaram-no contra o centro de si mesmo. Tem uma figura alta, forte, e no entanto atarracada e algo curvada sobre o seu estômago proeminente. Como se suportando um peso que o comprimiu e encurtou o seu corpo. E ele já não acredita em nada a não ser nos gestos violentos, da mesma violência que o obrigou a deixar de ser quem quer que pudesse ser, e o fez ser aquele bloco de carne com vida. Ele já não acredita senão nas projecções de fogo das bombas, se não no sangue espeço a escorrer das órbitas dos poderosos. Ele já não acredita senão nos corações selectivos dos humanos, que o excluem de si mesmo. Ele à sua frente ele só dispõe de uma rotina que lhe dilacera a alma, de falhas à frente e atrás que condicionam todos aqueles que o rodeiam. Chamam-se Anarquista. Dizem-no Autoritário. E o que ele queria era tão simples como qualquer desejo de uma criança: ele queria a perfeição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A perfeição dele decorre de raciocínios diferentes dos meus - e isso eu sei desde cedo. Porque se desdobra numa vingança - num repor da ordem que foi abolida quando nasceu. Porque o meu pai nunca teve uma vida fácil - e era até fácil demais escrevê-la aqui, muito mais fácil do que vivê-la. Poderia até dizer que teve uma vida mais difícil do que aquilo que podia aguentar - independentemente do que dizem sobre deus. Não foi, no entanto, uma vida mais difícil do que aquilo que o seu corpo de homem aguentaria. E é assim que o vejo: ele morreu. Sentado no deserto em cima de um escorpião ou espancado nas traseiras da sua casa. Comido vivo por comprimidos, ou implodido, ou por combustão espontânea. Dele, resta apenas a carcaça rugosa da sua pele, as mãos àsperas e um coração que implora por alguém que leia nas suas palavras a sinceridade com que ele as tempera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O meu pai deseja que o país arda. Que as regras definhem de fome e que as pessoas lutem com garras e armas contra a democracia. Deseja que o desembrulhem do plástico sufocante que o impede de abrir os braços, de encher o peito ou de respirar. Que a desforra chegue: porque o enganaram - disseram-lhe que podia ser feliz. E é com a cabeça ligeiramente pendida para o lado que afirma que não é feliz. Que deseja todos os dias morrer, quando dorme o que pode dormir porque é a única forma de sonhar. Visualiza na estrada à sua frente como a sua vida podia ter sido, e pergunta-se se é aquilo que faz ou aquilo que tem a certeza que é na sua cabeça mas não faz. O meu pai é um assassino interior, é um suícida, um colérico. O meu pai não tem espírito, mas tem alma - embora esta esteja corrompida por anos a mais de sonhos podres. Conduzindo maquinalmente por cima dos seus sonhos, como todas as pessoas maduras fazem, olha para mim de esguia e diz-me que eu tenho perspectivas, ao contrário dele. Porque eu ainda tenho tantos anos nas mãos como ele tem revoltas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas eu não o vejo, porque acabou de passar uma estrela cadente. E já não desejo que o meu pai seja feliz, porque tenho medo que a sua felicidade seja a desgraça de muita gente. Já não desejo que morra, porque ele está morto. Já nem vale a pena desejar desaparecer daquele carro. Enquanto a estrela cadente passa, eu só desejo continuar a olhar para o céu e a apreciar as nuvens recortadas pelo luar, só desejo nunca ter a certeza sobre coisa nenhuma, nunca querer tirar a carta, nunca crescer. Porque crescer implica sempre querer mais. E eu não quero mais nada, porque aprendi que o vazio é a única coisa que ocupa o espaço quando a esperança morre. E às vezes ela morre precocemente, mesmo antes do coração parar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O carro estaciona com um guincho e o motor aspira violentamente. Ele espera que eu cresça, mesmo que numa direcção oposta, mas sempre com o seu apoio. Porque ele vive só por esse apoio.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3429648780791513396-6810906531143882625?l=paronimas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paronimas.blogspot.com/feeds/6810906531143882625/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3429648780791513396&amp;postID=6810906531143882625' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3429648780791513396/posts/default/6810906531143882625'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3429648780791513396/posts/default/6810906531143882625'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paronimas.blogspot.com/2007/08/o-morto-vivo.html' title='O morto-vivo'/><author><name>[lunatic]</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07153531753622211031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://hgwells.com.sapo.pt/The_Angst____by_Kitto.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3429648780791513396.post-7449034359030781879</id><published>2007-08-21T17:57:00.000Z</published><updated>2007-08-21T18:14:11.126Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Há algo agora que não existia antes. Isso é certo. Mas mais que isso, há algo agora que subtrai a nossa proximidade, e torna o espaço maior e os nossos pensamentos mais distantes. Mas eu não sei dar-lhe nome. Talvez por isso tenha tanto medo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É que antes, nunca tinha pensado em nada disto, o que me faz pensar que não existia. Cada dia era um dia, e tu entravas nos meus pensamentos tão depressa como saias pela porta do meu apartamento. E fugias pelos ouvidos tão rapidamente como tinhas entrado.  Entregavas-me o teu corpo e os alguns enlaces da tua consciência, e eu sentia-te ali; mesmo quando tu dizias que um vazio crescia na porta do meu prédio. Esse vaco era o mesmo que me dava a certeza de que estava segura, e de que os dois estavamos ali de livre vontade, a aproveirar honestamente os minutos que queríamos aproveitar. E tudo estava bem, de alguma maneira.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não estou a dizer que pensava que seria para sempre. Como tu bem sabes, eu não acredito no para sempre - principalmente porque tenho uma tendência natural para me entregar a ele e já sofri muito por isso (e isto não sabias tu). E com os anos e as proximidades e des-proximidades que já vivi, antecipo perfeitamente o início do fim. Aquele que se amonta com o pó das palavras não ditas, das opiniões caladas, dos segredos. E foi por isso que desde o início me decidi a ser honesta contigo (mesmo quando achavas que o fazia para te chocar), porque achei que se fosse honesta como nunca tinha sido com ninguém, não haveriam mentiras. Não te contava tudo, como é óbvio, mas as partes que te diziam respeito, na minha opinião. Foi patetisse, porque como eu bem sei, toda a gente esconde coisas. E eu tenho plena consciência, neste momento, que a tua impavidez para com os meus relatos não era tanto honestidade como o era um fingimento. Como o sei, não te posso responder. Mas agora que sei, com provas e teses, aterrei no meio do espaço que foste elaborando entre nós os dois. Talvez até eu o tenha elaborado sem ver. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E o que posso fazer agora quando te sinto sempre tão distante? Estás tão longe que daqui já nem reconheço a pessoa com quem falava ontem. E não sei o que fazer. O meu instinto diz-me para acabar com isto antes que deixe deteriorar o que ainda resta de mim. Mas não sei se é o instinto, ou o medo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3429648780791513396-7449034359030781879?l=paronimas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paronimas.blogspot.com/feeds/7449034359030781879/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3429648780791513396&amp;postID=7449034359030781879' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3429648780791513396/posts/default/7449034359030781879'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3429648780791513396/posts/default/7449034359030781879'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paronimas.blogspot.com/2007/08/h-algo-agora-que-no-existia-antes.html' title=''/><author><name>[lunatic]</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07153531753622211031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://hgwells.com.sapo.pt/The_Angst____by_Kitto.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3429648780791513396.post-4315899510705368355</id><published>2007-08-14T00:16:00.000Z</published><updated>2007-08-14T00:25:57.036Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>O mesmo espaço que requisitei para não sufocar plantou-me asas nas costas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho comichão. Quero sair da gaiola. Se continuo a cair neste mar de espaço ainda nos afogamos aos dois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lamento. E tu?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3429648780791513396-4315899510705368355?l=paronimas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paronimas.blogspot.com/feeds/4315899510705368355/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3429648780791513396&amp;postID=4315899510705368355' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3429648780791513396/posts/default/4315899510705368355'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3429648780791513396/posts/default/4315899510705368355'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paronimas.blogspot.com/2007/08/o-mesmo-espao-que-requisitei-para-no.html' title=''/><author><name>[lunatic]</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07153531753622211031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://hgwells.com.sapo.pt/The_Angst____by_Kitto.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3429648780791513396.post-7323169635201861176</id><published>2007-08-13T23:36:00.000Z</published><updated>2007-08-14T00:12:25.402Z</updated><title type='text'>Abraça-me</title><content type='html'>&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;A tarde pintava-se como um pêssego - pensavas tu. O ar morno colidia suavemente com o fresco mentolado da tua língua. E a luz peluda vibrava nas casas e nas varandas (e nas velhas de rosto gasto que vigiavam atrás das cortinas). O momento era doce, amarelado e suave como a casca de um pêssego - e mesmo assim perguntavas a ti mesmo onde estava aquela acidez melindrosa que tanto te picava nos pêssegos. &lt;em&gt;Talvez a tarde seja um pêssego maduro e mole&lt;/em&gt; - dizias para ti mesmo - &lt;em&gt;e por isso já não se sente aquele rasgo áspero do meio-dia&lt;/em&gt;.  Ela chegou no preciso momento exacto em que o sol se despediu.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;A noite crescia como a lua (mas mais rápido) enquanto os sapatos ecoavam contra o chão. O ar húmido apalpava-lhe as maçãs do rosto coradas enquanto as andorinhas e os pardais saltitavam no ar num frenesim urgente. Queria lhes perguntar porque corriam. &lt;em&gt;Queria ser assim, feliz - hiperativa - descontrolada e esvoaçar sem razão nenhuma&lt;/em&gt;. A escuridão, gulosa e gorda, engolia as casas pintadas. As luzes acendiam-se duas-a-duas nos prédios. Sentado no degrau - ele já la estava - com as mãos nos joelhos a segurar a cabeça, sempre fixa nas estrelas. &lt;em&gt;Sempre com a cabeça na lua&lt;/em&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;A noite impelia-os a colarem os joelhos nus; a abraçarem-se como dantes: mas o tempo, que entretanto tinha deslizado matreiramente pelos telhados, pingava pequenas lagrimas dolorosas. Choravam saudades. E no entanto estavam ali - frente a frente. Tudo tinha mudado.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;E aos seus olhos, tudo permanecia igual.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;Mas fora dali, daquela noite, daquela estrada... já tudo estava diferente. Já a flauta não chilreava uma canção infantil de notas puras e concisas, mas a orquestra absolvia todo o público em misturas de sons de diferentes origens, subindo e descendo o tom e a gravidade como quem brinca - mas com toda a perícia. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;&lt;em&gt;Já nada é como dantes - &lt;/em&gt;pensaram ambos, em uníssono, como antigamente. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;A flauta e as notas das suas imaginações cairam e espalharam-se pelo chão. Tinham frio demais para apanhar os pedaços. Ficaram ali, estáticos, a observar os cacos dos seus carinhos a serem lavados pela torrente de lágrimas e de tempo. Subitamente, ele deu-lhe a mão. Mas ela estranhou, estremeceu. Em resposta deu-lhe um beijo, um beijo lento, tépido, com sabor a pinhão. Ele sentiu os lábios secos e afastou-se. Nada. Só uma vontade de o possuir de novo, mas no passado. Ali, tudo aquilo era um erro.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;&lt;em&gt;Quando eu não estava com ela, tudo era diferente &lt;/em&gt;- pensou. Era tudo mais fácil, natural: as mensagens, as cartas, as declarações. Ele amava-a e era capaz de o gritar pelos kilómetros que os separavam até que os seus cabelos estremessessem com o poder da sua voz. Quando dormia via o seu corpo a pairar no ar. Quando acordava espreitava a sua fotografia. E tinha sempre presente o perfume que era ela. Ela era tudo, tudo. &lt;em&gt;Ela era tudo.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;&lt;em&gt;Quando eu estava com ele, tudo era diferente &lt;/em&gt;- pensou, ao mesmo tempo, a rapariga. Era tudo fácil, quente, natural. Amava-o, e era capaz de estar com ele dias a fio sem que se fartasse, ou sequer sem que visse os segundos a passar encima das suas cabeças. Não precisava de luz do sol, nem precisavam de proferir uma palavra. O seu cheiro fazia o seu cérebro estremecer de prazer, e quando falavam, as suas palavras eram escutadas como se canalizasse tudo o que havia nela para ele. Só ele encaixava no seu abraço! &lt;em&gt;Ele era tudo!&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;Mas no primeiro dia decidiram viver juntos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;E no segundo dia decidiram respirar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;No primeiro ele sufocou e ela tornou-se um peso presente, sempre obsoleto e nunca desejável pela sua excessiva permanência. A sua docura tornou-se enjoativa, o seu perfume enjoativo, o seu corpo ordinário - a sua voz mobília. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;No segundo dia ela sentiu-se só e perdida. Queria vingar-se da frieza dele, suportar o vício insaciado, ser independente. Ocupou-se até à ponta dos cabelos. Reaprendeu a rir, a chorar, a viver. E esqueceu, grão a grão, a (agora) repulsiva forma do seu ex-amante. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;E entre eles já não havia nada que pudesse sobreviver aos seus próprios desejos e personalidades. Já não encaixavam no mesmo abraço.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3429648780791513396-7323169635201861176?l=paronimas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paronimas.blogspot.com/feeds/7323169635201861176/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3429648780791513396&amp;postID=7323169635201861176' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3429648780791513396/posts/default/7323169635201861176'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3429648780791513396/posts/default/7323169635201861176'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paronimas.blogspot.com/2007/08/abraa-me.html' title='Abraça-me'/><author><name>[lunatic]</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07153531753622211031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://hgwells.com.sapo.pt/The_Angst____by_Kitto.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3429648780791513396.post-5064224155420665781</id><published>2007-08-09T23:53:00.000Z</published><updated>2007-08-09T23:58:17.304Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>Nyota balança no escuro o seu pequeno bebé-órfão, e da sua máscara não escorre a mais pequena lágrima. A lua envergonhada não nasceu. E nada brilha esta noite, na savana, a não ser os olhos do recém-nascido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi o espírito do ar que, nove meses antes, pediu o consentimento aos falecidos pais de Nyota. Mais ninguém no mundo lhe dava a mão. E ela deixou-se levar, pela mão, sentindo as pontas das ervas altas a acariciarem-lhe as palmas dos pés, deixando-as dormentes. E pouco a pouco, aquelas cócegas subiram em espiral pelas suas pernas lisas debaixo da saia, acariciaram-lhe o sexo e o ventre e aqueceram-lhe o peito, confortando o bater do seu coração, amaciando-lhe as axilas, o pescoço e as maçãs do rosto. No seu corpo, só os seus cabelos encarapinhados balançavam ligeiramente ao vento, como as copas das árvores frondosas. Os sons da noite vingavam aqui e ali, acordando-a da sua sonolência. Os demónios dos animais estavam despertos mesmo em noites tão escuras, e quando se começou a elevar no ar podia ver os olhos dos predadores a cercarem os pequenos animais que corriam como flechas por entre os arbustos. Subiu cada vez mais alto, elevando-se como uma pluma elevada no ar por um vento forte, sempre de mão dada ao ar. Ultrapassou a espessa camada de escuridão e mergulhou num oceano de estrelas cintilantes. Sentia o calor daqueles astros, estáticos no espaço, na sua pele. E de repente parou também. Sentiu o corpo do seu noivo contra o seu, como se o pudesse ver; fechou os olhos e viu-o realmente: era um homem alto e escuro como o céu da noite, mas os seus olhos derretiam qualquer pedra como se fossem uma chama vermelha. E usava o rosto nú, sem máscara, um rosto inexpressivo e cru. Ele beijou-a, primeiro suavemente, depois contraindo os lábios e sugando-lhe os poros como se quisesse realmente prová-la; empurravam as estrelas à sua volta abrindo espaço como doidos, e as suas pernas enrolaram-se nas dele como serpentes, como as suas línguas, como se tudo fosse assim e para sempre assim. Quando ele a pressionou e penetrou, sentiu o seu espírito estalar e dele saiu um mel quente, explodiu numa amnésia agri-doce.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nyota acordou na palhota, sozinha com os ruídos da savana a acordar. Lá fora, o som de um tigre talvez. O medo arrepiou-lhe toda a espinha: mas não por causa do grande felino - por causa da lembrança de um homem sem máscara que a elevou nas estrelas do céu. O seu coração batia tão forte que arfava, e o corpo estava coberto com uma fina camada de suor brilhante. A sua máscara, intacta, batia ao ritmo do seu corpo na esteira. Nove meses depois nasceu o bebé. A rapariguinha ainda se casou para mascarar a sua surpresa. Mas também o bebé, como o ar do seu corpo, nasceu nu e incompleto, sem uma única farpa de madeida a proteger-lhe a face.&lt;br /&gt;Os guerreiros viram nele uma ameaça, os anciãos viram nele uma maldição. Nyota foi encarregada de o oferecer aos espíritos, para que se acalmassem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Balança o seu recém-nascido e olha-o uma única vez antes de o pousar numa improvisada cama de folhas. Vira as costas, prende a respiração, e esquece-o. Porque o povo das máscaras é mais forte que os demónios. E porque tem a sensação que a sua pequena cria mal-formada será criada por uma força bem mais poderosa do que o seu leite. Nem que seja a morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele desceu do seu oráculo de estrelas na hora marcada para ir buscar o seu bebé. Deu-lhe a mão e elevou-o cuidadosamente pelo ar da noite. A lua veio cumprimentá-lo, iluminando a savana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ar chamou-lhe homem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3429648780791513396-5064224155420665781?l=paronimas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paronimas.blogspot.com/feeds/5064224155420665781/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3429648780791513396&amp;postID=5064224155420665781' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3429648780791513396/posts/default/5064224155420665781'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3429648780791513396/posts/default/5064224155420665781'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paronimas.blogspot.com/2007/08/nyota-balana-no-escuro-o-seu-pequeno.html' title=''/><author><name>[lunatic]</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07153531753622211031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://hgwells.com.sapo.pt/The_Angst____by_Kitto.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3429648780791513396.post-5699714044543023253</id><published>2007-08-08T01:13:00.000Z</published><updated>2007-08-08T01:20:57.533Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>Ele é um homem prático.&lt;br /&gt;Um homem mecânico.&lt;br /&gt;Binário. Básico.&lt;br /&gt;Simples.&lt;br /&gt;Esquematizado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E por isso penso nele nesta base: sim não&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema é que eu sou muito uma pessoa do talvez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então talvez não;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não é?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3429648780791513396-5699714044543023253?l=paronimas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paronimas.blogspot.com/feeds/5699714044543023253/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3429648780791513396&amp;postID=5699714044543023253' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3429648780791513396/posts/default/5699714044543023253'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3429648780791513396/posts/default/5699714044543023253'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paronimas.blogspot.com/2007/08/ele-um-homem-prtico.html' title=''/><author><name>[lunatic]</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07153531753622211031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://hgwells.com.sapo.pt/The_Angst____by_Kitto.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3429648780791513396.post-2795464122268703537</id><published>2007-08-08T00:46:00.000Z</published><updated>2007-08-08T00:47:21.067Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>O que me assusta mais no homem, na morte e na existência, não é tanto a sua efemeridade mas a sua imortalidade enquanto vesígio - material, ideal ou genético.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3429648780791513396-2795464122268703537?l=paronimas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paronimas.blogspot.com/feeds/2795464122268703537/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3429648780791513396&amp;postID=2795464122268703537' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3429648780791513396/posts/default/2795464122268703537'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3429648780791513396/posts/default/2795464122268703537'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paronimas.blogspot.com/2007/08/o-que-me-assusta-mais-no-homem-na-morte.html' title=''/><author><name>[lunatic]</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07153531753622211031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://hgwells.com.sapo.pt/The_Angst____by_Kitto.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3429648780791513396.post-849805280841637396</id><published>2007-08-08T00:34:00.000Z</published><updated>2007-08-08T00:36:39.957Z</updated><title type='text'>Mau timing</title><content type='html'>(antes)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só agora percebo quando dizes que precisas desesperadamente de um abraço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(depois)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque agora também quero. Infelizmente, não é o teu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(agora)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obrigado na mesma.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3429648780791513396-849805280841637396?l=paronimas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paronimas.blogspot.com/feeds/849805280841637396/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3429648780791513396&amp;postID=849805280841637396' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3429648780791513396/posts/default/849805280841637396'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3429648780791513396/posts/default/849805280841637396'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paronimas.blogspot.com/2007/08/mau-timing.html' title='Mau timing'/><author><name>[lunatic]</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07153531753622211031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://hgwells.com.sapo.pt/The_Angst____by_Kitto.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3429648780791513396.post-8017244223490674495</id><published>2007-08-08T00:21:00.000Z</published><updated>2007-08-08T00:31:58.574Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>Sabes o que é que eu acho? Acho que é tudo demasiado grande fora das nossa musculatura esqueléctica. Por mim, nunca saía de dentro de nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Ou seja, de dentro do nosso ponto de vista)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a mim colaram-me mal as órbitas, e elas têm uma tendência irritante para saltarem de um lado para o outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que quero dizer é: quando as pessoas morrem, como é que morrem, se continuam a existir?Quando o cheiro delas paira no ar, ou numa roupa, não é o cheiro delas? E se é o cheiro delas, como é que podem estar mortas? As roupas delas, não são delas? Os momentos, não são com elas? E as lembranças, não são delas, as vidas, as casas, tudo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quando nos esquecemos, elas deixam de existir para sempre?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então só existimos enquanto deixamos rasto? E quem vive para ser esquecido, como tu...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...nunca existiu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho saudades tuas. Não sei como posso explicá-las de maneira diferente. Tenho saudades da pessoa que era quando estava contigo, aquela que tenho tentado ser mas não consigo. E só agora me apercebi, que depois da tua morte, mantive-me viva a tentar sobreviver ao mim e a ti daquela altura. Porque tu exististe, dentro e fora de mim. Porque se eu soubesse tinha esgotado tudo para tu não teres esgotado o oxigénio no sangue, para tu não teres esgotado a dose nas veias.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3429648780791513396-8017244223490674495?l=paronimas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paronimas.blogspot.com/feeds/8017244223490674495/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3429648780791513396&amp;postID=8017244223490674495' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3429648780791513396/posts/default/8017244223490674495'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3429648780791513396/posts/default/8017244223490674495'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paronimas.blogspot.com/2007/08/sabes-o-que-que-eu-acho-acho-que-tudo.html' title=''/><author><name>[lunatic]</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07153531753622211031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://hgwells.com.sapo.pt/The_Angst____by_Kitto.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3429648780791513396.post-3148033976170497297</id><published>2007-08-07T23:15:00.000Z</published><updated>2007-08-08T00:04:31.872Z</updated><title type='text'>Proximidade</title><content type='html'>O princípio da sua depressão foi um livro. Nada mais, nada menos que um livro qualquer (daqueles de leitura fácil), de capa dobrada pelo uso nos primeiros anos de edição. Agora, já quase ninguém lhe pegava. E tinha-lhe caído nas mãos, por acaso, e lido entre duas noites em branco. E o livro dissera-lhe:&lt;br /&gt; - A vida é muito grande, e tu és demasiado pequena.&lt;br /&gt;Não é que nunca ninguém lhe tivesse dito antes, em situações e temas piores. Mas daquela vez, fosse pelo tom informal da conversa ou pela claridade como era adimitido, um par de lágrimas rasgou-se-lhe nos olhos. E aí estava, a melancolia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No início, só lhe apetecia um abraço. Apercebi-me logo que o que ela chamava "só um abraço", era na verdade a necessidade de sentir-se fundir com alguém e crescer no espaço, tornar-se maior, de forma a melhor combater a força esmagadora da revelação tão recente. E para ela, essa necessidade de proximidade tornou-se um combate constante: antes de mais, contra ela mesma. Claro que como imaginam, era uma pessoa pequena como outra qualquer, daquelas que tem dias bons, dias maus, metade espiríto e metade matéria. Para todo o caso, era igual a qualquer outra pessoa. O que em si ocupava muito, mas mesmo muito espaço (deixando-me por vezes claustrofóbico) eram as muralhas de pensamento platinado que tinha construído à sua volta. Essas muralhas eram o que chavama de "o seu espaço". O pior é que a um quarto de si, aquele espaço parecia gigantesco, e desnecessário - principalmente quando se deparava com o espaço ainda maior que sempre existiria por força da realidade. Esse quarto (metade do espírito) encontrou então o alvo excelente para a sua necessidade de contacto: um homem. Eu cheirava o homem há distância. Antecipei-o mesmo antes dela pensar nele. E ela aproximou-se, abruptamente, forçando as etapas plásticas das suas muralhas. &lt;em&gt;O mundo é tão gi-gan-tesco. E eu sou tão pe-que-ni-na.&lt;/em&gt; - pensava, enrolada na cama dele. Mesmo quando estava longe, tinha um quarto reservado do seu coração. Estava sempre como subentendido nos seus pensamentos, fora um instante ou outro. Estava sempre numa terceira batida do coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas eu estava descançado. Pode parecer negligência da minha parte, mas além de SABER que era passageiro, entendia a sua necessidade de alguém com quem partilhar a solidão, para se sentir menos sozinha. Conheço também a maneira de nós, homens, pensarmos. Assim que ele se apercebesse da necessidade desesperada com que ela precisava dele (mesmo que fosse uma necessidade mais efémera que outra coisa), fugiria com medo. De uma maneira ou de outra, ia acabar depressa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas como podem imaginar, as minhas certezas estavam longe de se concretizarem. Em breve senti-o conquistar mais um pouco dela, sentia o seu corpo também a necessitar da harmonia violenta com que trocavam de pele. Senti-a estremecer quando o perfume masculino lhe subia pelas narinas e lhe descia pelo ventre. Via de longe, como perito, o seu desejo e humidade a evaporarem-lhe pelos olhos. Nada seria como dantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os meus receios cedo se revelaram na falta de segurança dela. Agora estava ainda mais sozinha, em contraste com a proximidade omnipresente que ele lhe oferecia. Eu dizia-lhe, sussurrando-lhe ao ouvido:&lt;br /&gt; - Ele também te mente, amor.&lt;br /&gt;E ela escutava estas palavras com atenção e excitação, as mãos tremiam-lhe e suavam, falava alto e inflava o peito, pestanejava muitas vezes. E foi aí que percebi. Era exactamente isso que ela queria. Ela não queria que eu a encostasse contra o meu peito quente, a abraçasse e beijasse a testa. Não queria que eu lhe massajasse os pés e lhe contasse como o mundo era belo. Porque o medo daquela curta existência tornava-a sedenta: mas não de proximidade, como eu tinha pensado; mas antes de algo parecido mas mais profundo. Para contrapor a sua minuscula figura e manter as suas fronteiras, a minha menina queria sentir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afastei-me dela deixando nacos de pão no caminho, que nunca ninguém comeu. Talvez um dia volte. Anda deprimida, a minha menina. Diz que quer sentir. Implora-lhe ao &lt;em&gt;seu&lt;/em&gt; homem que lhe minta, se for preciso - que lhe declare amor com o peito cheio, que ameaçe morrer de angústia por não ouvir a voz dela, que a beije sofregamente e que façam amor contra a parede do hall-de-entrada, como se não pudessem chegar ao quarto. Quer sentir isso tudo, porque é pequena, e parece-lhe que só assim as coisas se sentem maiores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas ela também não consegue vencer as suas fronteiras.&lt;br /&gt;E ele, como eu, ainda não a entende.&lt;br /&gt;E eu, como ele, nunca a vou entender. Nem ela própria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ela continua deprimida. Por causa de um livro, digo-vos eu.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3429648780791513396-3148033976170497297?l=paronimas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paronimas.blogspot.com/feeds/3148033976170497297/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3429648780791513396&amp;postID=3148033976170497297' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3429648780791513396/posts/default/3148033976170497297'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3429648780791513396/posts/default/3148033976170497297'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paronimas.blogspot.com/2007/08/proximidade.html' title='Proximidade'/><author><name>[lunatic]</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07153531753622211031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://hgwells.com.sapo.pt/The_Angst____by_Kitto.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3429648780791513396.post-7026512194215915669</id><published>2007-08-06T14:17:00.000Z</published><updated>2007-08-06T14:38:25.885Z</updated><title type='text'>Fuga dos ponteiros</title><content type='html'>Ah... se eu fosse tudo aquilo que o calendário permite. Ou se eu fosse tudo aquilo que ele limita. Mas não: sou infeliz de outra maneira, como todas as pessoas que moram na segunda dimensão do segundo. Pensamos que somos eternos na nossa maneira de olhar as horas: mas até elas são nossas, uma invenção não terrena mas humana no seu desperdício. Efémera: as horas corrompem-nos porque são uma loucura intrinseca ao propósito correcto e real. As horas passam e ao olhar para ela passamos nós por nós mesmos, perdemo-nos num enlear de suicídios recicláveis mas nunca recuperáveis. Dizem que o mundo é nosso, mas ficamos no limite de um pedaço de plástico fronteiriço entre o que ele é e o que ele devia ser. (Devia ser aos olhos de quem? Aos nossos, que somos o centro do mundo). O sentido é muito importante no nosso mundo. Porque até a falta de sentido tem algum sentido. Tem de ter, ou não seria real. As palavras têm sentido, os números, as cores, o silêncio. O nosso sentido é insensível - é racional e frio como mármore. É o sentido do tempo. Corremos para o futuro com a certeza que um dia tudo acaba por lá. Contamos com a queda quando ainda estamos a criar asas. E se eu fosse tudo aquilo que o calendário permite, sentiria essa vida cronometrada que há debaixo dos músculos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas é como se eu própria, e a minha vida, corressem em aspas numa outra dimensão, na narração de outra pessoa. Como se as sentisse desenrolarem-se num outro mundo ausente, paralelo a este: um mundo sem tempo. Neste calendário, o meu ser morre depressa e renasce com o sol a leste. Desloca-se tão depressa que não encontro traços negros da minha personalidade, só um movimento smi-transparente de luz quase invisível. Queria dizer: sou assim. Mas os danos colaterais da minha passagem provam que o desenho da minha pessoa no chão é difente. Não é o que quero, nem o que faço, nem o que digo. É diferente, é pior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pergunto-me se sou tudo aquilo que o calendário me diz que sou. E as lágrima sobem-me aos olhos, porque isso é tão feio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E talvez seja só a esperança ignorante que me faz pressentir um outro eu, menos amargo, no mundo onde não há tempo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3429648780791513396-7026512194215915669?l=paronimas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paronimas.blogspot.com/feeds/7026512194215915669/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3429648780791513396&amp;postID=7026512194215915669' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3429648780791513396/posts/default/7026512194215915669'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3429648780791513396/posts/default/7026512194215915669'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paronimas.blogspot.com/2007/08/fuga-dos-ponteiros.html' title='Fuga dos ponteiros'/><author><name>[lunatic]</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07153531753622211031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://hgwells.com.sapo.pt/The_Angst____by_Kitto.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3429648780791513396.post-4989088624839684617</id><published>2007-08-06T13:42:00.000Z</published><updated>2007-08-06T14:16:25.811Z</updated><title type='text'>Os beijos</title><content type='html'>A artífice queria pintar o amor nas bochechas de alguém. Ou então, quem sabe, esculpir o amor em forma de bochecha, o amor que ainda não existia na sua essência, mas apenas em ideia. E tinha a certeza que a pessoa escolhida para esculpir tal vestígio não se sentiria minimamente lesada: porque diz o protocolo (o a-b-c do amor) que a afeição está demarcada na face, e pouco no corpo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As bochechas idealizadas pela artifice eram a personificação mais rechonchuda da eternidade. E através dela imortalizaria aquele sentimento tão omnipresente, que tornava o ar pesado à sua volta, como nuvens palpáveis de penas artificiais. Deliciada, baixava os olhos brilhantes sobre a sua matéria prima, enquando vibravam ao balanço da respiração do sono. Puxava o cabelo para trás, prendia-o num rabo de cavalo e identificava com atenção todos os pontos a serem moldados pelo seu talento. Eram a própria identidade da escultura que, a seus olhos, ainda não tinha nascido. Não tinham uma forma apolínea ou harmoniosa: eram antes difusas e leves nos poros. Eram o esboço da escultura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A artifice não tinha mãos a medir: antevia as cores impressas nas bochechas amadas, já sentia o coração palpitar com os perfumes e a língua enrolar-se pelas dentadas gemidas na carne macia. O seu cérebro tremia de creatividade e os seus pulsos ansiosos electrificavam-se de doses de vontade. Só vontade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A artífice queria pintar ou esculpir o amor nas bochechas de alguém. Mas enquanto alguém dormia, apercebeu-se que não tinha consigo a navalha, nem os lápis-de-cor. Olhou à sua volta desesperada como alguém que tem sede e não bebe. Mas nada: à sua volta, só a mesma madrugada de sempre - leda, quente e vagarosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A frustração arrepiou-lhe os pelos do antebraço. Só tinha beijos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3429648780791513396-4989088624839684617?l=paronimas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paronimas.blogspot.com/feeds/4989088624839684617/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3429648780791513396&amp;postID=4989088624839684617' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3429648780791513396/posts/default/4989088624839684617'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3429648780791513396/posts/default/4989088624839684617'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paronimas.blogspot.com/2007/08/os-beijos.html' title='Os beijos'/><author><name>[lunatic]</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07153531753622211031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://hgwells.com.sapo.pt/The_Angst____by_Kitto.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3429648780791513396.post-346240312435180426</id><published>2007-07-24T21:09:00.001Z</published><updated>2007-07-24T21:21:38.824Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>Desceu ao fundo do poço pelas escadas de algodão (amargo) - ou seja - caiu e além disso tinha sérias alucinações. As pequenas almofadas negras que via ao descer não eram mais que restícios da luz que se estinguia a uma velocidade vertiginosa, que espicaçava os olhos a lacrimejarem. caiu e sentiu uma dor atroz - como ninguém pode entender. Quebrou todos os ossos do corpo. até ao mais ínfimo. Os músculos agonizaram contraídos contra o gelo glacial do fundo do poço. Queria gritar, mas a garganta ardia-lhe e mal respirava. Mas se queria que tudo ficasse bem, precisava de chegar ainda mais fundo. A pá que atirara estava intacta. Coxeou até ela, apalpando a parede rugosa na luz escura. Agarrou-a com as duas mãos (as articulações dos dedos estalaram) e começou a escavar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3429648780791513396-346240312435180426?l=paronimas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paronimas.blogspot.com/feeds/346240312435180426/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3429648780791513396&amp;postID=346240312435180426' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3429648780791513396/posts/default/346240312435180426'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3429648780791513396/posts/default/346240312435180426'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paronimas.blogspot.com/2007/07/desceu-ao-fundo-do-poo-pelas-escadas-de.html' title=''/><author><name>[lunatic]</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07153531753622211031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://hgwells.com.sapo.pt/The_Angst____by_Kitto.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3429648780791513396.post-6507020297861514819</id><published>2007-07-24T20:22:00.000Z</published><updated>2007-07-24T20:24:46.502Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>O que mais odeio num texto é o facto de ele ser tão pessoal. Por mais que tente distanciar-me em pessoa, em género, no verbo: acaba sempre por evaporar uma partícula do meu cheiro. Mas contrário ao físico, só eu o sinto - tão presente e violento que o odeio.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3429648780791513396-6507020297861514819?l=paronimas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paronimas.blogspot.com/feeds/6507020297861514819/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3429648780791513396&amp;postID=6507020297861514819' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3429648780791513396/posts/default/6507020297861514819'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3429648780791513396/posts/default/6507020297861514819'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paronimas.blogspot.com/2007/07/o-que-mais-odeio-num-texto-o-facto-de.html' title=''/><author><name>[lunatic]</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07153531753622211031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://hgwells.com.sapo.pt/The_Angst____by_Kitto.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3429648780791513396.post-2009870365508499326</id><published>2007-07-23T23:45:00.000Z</published><updated>2007-07-24T00:01:48.772Z</updated><title type='text'>O que fica no meio (parte 1 de 3)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Ela tinha um &lt;em&gt;não-sei-o-quê&lt;/em&gt; que fazia as pessoas se sentirem mal. Eu conheci-a, uma vez, pessoalmente, e posso certificá-lo. Era como se a cara dela, mas toda a sua cara, fosse uma máscara mal planeada, e a sua roupa um vestuário desenquadrado para uma personagem mal construída. Não era que fosse (pelo menos não obviamente) má pessoa. Não tinha falhas de carácter. Na verdade, tinha o que só posso chamar de falhas de existência. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A maneira como andava não era a-normal mas tinha algo de peculiar. No entanto, não era um daqueles actos incomuns que desse vontade de explorar, era mais, uma característica que causava desconforto a quem caminhava ao seu lado. Como se ela não tivesse treinado bem os passos e por isso caminhasse ora rápido de mais, ora lento demais, ora cambaleando ligeiramente como se tivesse bebido. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A sua voz era nem feminina nem rouca. Não era nada atraente, para dizer a verdade. Como os passos, também oscilava entre um agudo que irritava os pêlos interiores do ouvido e o baixo surdo que não se entendia. Comia as palavras de um modo violento e por vezes extraviava o seu significado, pedindo emprestado outros subtilmente. Não sabia muitas coisas se não aquelas que toda a gente da sua idade sabia, e nada nela era em extremo. E se bem que a vida não deve viver de extremos, só assim tal personagem incompleta poderia ser verdadeiramente alguém. Mas tinha um &lt;em&gt;não-sei-o-quê&lt;/em&gt; que nos deixava desconfortáveis. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Um dia, ao passar com ela pela montra de uma loja, apercebi-me que o seu reflexo não era exactamente como o meu. Para falar a verdade, não era nem um pouco como o meu - era mais difuso, esbranquiçado, como se uma luz intensa focasse as suas costas e a atravessasse, reflectindo um imenso buraco luminoso no interior dos contornos do seu corpo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Como primeira particularidade que encontrava nele, não pude deixar de aprofundar a nossa "amizade".&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3429648780791513396-2009870365508499326?l=paronimas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paronimas.blogspot.com/feeds/2009870365508499326/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3429648780791513396&amp;postID=2009870365508499326' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3429648780791513396/posts/default/2009870365508499326'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3429648780791513396/posts/default/2009870365508499326'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paronimas.blogspot.com/2007/07/o-que-fica-no-meio-parte-1-de-3.html' title='O que fica no meio (parte 1 de 3)'/><author><name>[lunatic]</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07153531753622211031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://hgwells.com.sapo.pt/The_Angst____by_Kitto.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3429648780791513396.post-4271544776895601601</id><published>2007-07-23T23:43:00.001Z</published><updated>2007-07-23T23:44:31.099Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>A dúvida é: será que os grilos ficam roucos?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3429648780791513396-4271544776895601601?l=paronimas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paronimas.blogspot.com/feeds/4271544776895601601/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3429648780791513396&amp;postID=4271544776895601601' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3429648780791513396/posts/default/4271544776895601601'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3429648780791513396/posts/default/4271544776895601601'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paronimas.blogspot.com/2007/07/dvida-ser-que-os-grilos-ficam-roucos.html' title=''/><author><name>[lunatic]</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07153531753622211031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://hgwells.com.sapo.pt/The_Angst____by_Kitto.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3429648780791513396.post-1068175940787967582</id><published>2007-07-17T23:25:00.000Z</published><updated>2007-07-17T23:37:22.560Z</updated><title type='text'>Nódoa Negra</title><content type='html'>Se me ardesse um pouco menos a garganta, gritava: estou a apaixonar-me. Mas doi-me, por dentro e por fora, contra-arte em circulos vermelhos no inicio da minha língua. E por isso, apenas murmuro sem som. Sílabas vazias como nós acabamos por ser, enterrados vivos por tantas palavras e pensamentos. Já nem somos a dor em si, a pancada da paixão na pele dorida, não somos a lâmina nem o fogo: somos a nódoa negra que fica e emerge, dia a noite, numa pele fina e fria.Porque estava - estava - a apaixonar-me. E entretanto, com um futuro tão prometedos como era naquele instante.. ficámo-nos apenas pela rouquidão. E pergunto ao outro lado se isso chega: e claro que chega. Chega o corpo, chega a pele, o silêncio da exigência que temos um do outro. Ou chegaria, se um dia, eu não tivesse pensado que me estava a apaixonar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3429648780791513396-1068175940787967582?l=paronimas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paronimas.blogspot.com/feeds/1068175940787967582/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3429648780791513396&amp;postID=1068175940787967582' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3429648780791513396/posts/default/1068175940787967582'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3429648780791513396/posts/default/1068175940787967582'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paronimas.blogspot.com/2007/07/ndoa-negra.html' title='Nódoa Negra'/><author><name>[lunatic]</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07153531753622211031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://hgwells.com.sapo.pt/The_Angst____by_Kitto.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3429648780791513396.post-8356264521209742553</id><published>2007-07-17T18:35:00.000Z</published><updated>2007-07-17T18:38:37.555Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>Um pequeno pássaro rastejou pela fenda das telhas e mordeu-me o lábio. Trazia-me um beijo - mas não era teu. Era uma dúvida queimada, de agulhas afiadas em vez de garras. Trazia-me o prenúncio do Adeus.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3429648780791513396-8356264521209742553?l=paronimas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paronimas.blogspot.com/feeds/8356264521209742553/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3429648780791513396&amp;postID=8356264521209742553' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3429648780791513396/posts/default/8356264521209742553'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3429648780791513396/posts/default/8356264521209742553'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paronimas.blogspot.com/2007/07/um-pequeno-pssaro-rastejou-pela-fenda.html' title=''/><author><name>[lunatic]</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07153531753622211031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://hgwells.com.sapo.pt/The_Angst____by_Kitto.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3429648780791513396.post-6801207664523905052</id><published>2007-07-16T23:51:00.000Z</published><updated>2007-07-17T00:19:17.641Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;A história da minha vida não adiantava para me conheceres. Nem os sorrisos, nem as lágrimas ao longo do som absurdamente constante das contrações e distenções de células, os vai-vens eléctricos do músculo a que chamam coração. Porque a história, como esta estória, é reescrita e recontextualizada a cada palavra, cada letra, cada sinal. E por isso, não adiantava que te contasse a minha história. Porque mesmo que a narrasse exactamente como me recordo, livre de quaisqueres juízos (o que não faria), a minha recordação por si só já era uma amostra insuficiente e parcial do grande todo que é a minha vida. Com isto não penses que quero valorizá-la - não, pelo contrário - ao mesmo tempo que admito que é tão largamente poderosa reconheço a sua fraqueza: a história da minha vida já passou, e assim como o passado não existe materialmente, deixou apenas abrasões nervosas em mim, impressões acimentadas mas que não são, nem perto, aquilo que eu sou. Porque eu não sou o conjunto das minhas estórias.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Aí levantas a pergunta, que já antecipo na palidez sombria da tua íris: como te conheço. Ergues a sua interrogação bem acima das nossas cabeças, porque afinal, isso é o mais importante. É importante ser honesto, é importante ser transparente, e seguro, e tudo isso porque é importante conheceres com quem falas. Porque não posso ser simplesmente um texto em branco, ou um texto em preto, assim como tu também não - ou a nossa comunicação não seria mais do que (ou seria tanto como) um emaranhado de indefinições tão extensas e confusas como esta quantidade de adjectivos aborrecidos. Fora com as formalidades, tenho de ser alguém, porque se for ninguém a nossa conversa seria, por definição, uma conversa de um louco com o vazio (mesmo que esse vazio, como todos os outros, fosse completamente cheio).&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A partir daqui esboço-te simplesmente que sou um exemplar da raça humana. Já sabes o sexo, a idade e as particularidades ínfimas de todos os milímetros do meu corpo (mais coisa menos coisa), mas, como eu sei, não é isso que queres saber. A tua pergunta é mais persistente e fura-me a pele fresca da  nuca: quem sou. Nem te sorrio nem choro: não vale a pena. E tu achas, como todos, que eu finjo. Que há um motivo oculto, interior, verdadeiro, para tudo aquilo que eu sou - como se eu fosse o drama, o reflexo interior de uma essência necessitada de manifestação. E eu pergunto-te o que queres saber. Mas tu não queres uma resposta, queres uma manifestação. Queres uma palavra que não seja só palavra, mas união de todas as verdades sensibilizadas transformadas num só instante, que beije os pêlos brancos da tua orelha! Queres o todo que sou gritando em suor, queres o sorriso mais puro nevando nas tuas bochechas. E isso eu não posso ser. Porque o que eu sou, o que toda a gente é, não o é senão para si mesmo. E quanto menos pensamos na origem do que somos exteriormente, mais próxima dela estamos, porque o excesso de tentativas está condenado. Eu não sou mais nada senão tudo aquilo que não sou.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Perguntas-me de novo, extasiado da discussão, numa espécie de suspiro respirado: Quem és?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3429648780791513396-6801207664523905052?l=paronimas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paronimas.blogspot.com/feeds/6801207664523905052/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3429648780791513396&amp;postID=6801207664523905052' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3429648780791513396/posts/default/6801207664523905052'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3429648780791513396/posts/default/6801207664523905052'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paronimas.blogspot.com/2007/07/histria-da-minha-vida-no-adiantava-para.html' title=''/><author><name>[lunatic]</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07153531753622211031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://hgwells.com.sapo.pt/The_Angst____by_Kitto.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3429648780791513396.post-106926298684544635</id><published>2007-06-12T00:58:00.000Z</published><updated>2007-06-12T01:03:35.661Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>Quem me dera dilacerar as palavras para que não fossem sequer lembranças. Quem me dera evitá-las ao centímetro e varrê-las de tudo o que pudesse ser a sombra do fantasma de uma comunicação perceptível. Seria possível, que sem as suas construções monstruosas, sem as imposições antecipadas, eu pudesse simplesmente estar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3429648780791513396-106926298684544635?l=paronimas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paronimas.blogspot.com/feeds/106926298684544635/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3429648780791513396&amp;postID=106926298684544635' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3429648780791513396/posts/default/106926298684544635'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3429648780791513396/posts/default/106926298684544635'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paronimas.blogspot.com/2007/06/quem-me-dera-dilacerar-as-palavras-para.html' title=''/><author><name>[lunatic]</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07153531753622211031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://hgwells.com.sapo.pt/The_Angst____by_Kitto.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3429648780791513396.post-2052887333563595434</id><published>2007-06-02T22:21:00.000Z</published><updated>2007-06-02T23:35:20.373Z</updated><title type='text'>Paz não é monotonia?</title><content type='html'>Fechou os olhos e inspirou fundo o ar da noite. Num lugar daqueles, o ar tem sempre uma densidade diferente - ou talvez o alcóol já lhe começasse a alterar a percepção. Descendo a colina, atrás das centenas de casa, ainda adivinhava um horizonte marítimo e os reflexos quentes do sol a espelhar na água. Talvez devessem descer a colina e mergulhar... mesmo depois do jantar! Virou-se e espreitou o marido por entre as flores da cortina - sem espanto, verificou que ele já dormia,  com um pequeno brilho salivar a escorrer-lhe pelo canto direito da boca entreaberta.&lt;br /&gt;Seria melhor fechar a janela, para não deixar os mosquitos entrar; mas aquela noite de verão estava tão quente e suave que decidiu deixá-la mesmo assim, escancarada. "E que se lixem os vizinhos também" - pensou. Segurou no máximo de garrafas de cerveja que pode, e levou-as com uma certa dificuldade até à cozinha. Acendeu a televisão enquanto lavava a loiça, mas também não dava nada de especial - o telejornal, tragédias, guerras - e lá para o meio, com sorte, uma vitória futebolística.&lt;br /&gt;Tudo parecia demasiado calmo para um sábado. Mas se pensasse bem, talvez à muitos sábados fosse assim. Tinha-se casado à um par de anos - ou talvez à quatro, ou cinco? O tempo é mesmo um estado de espírito. Como levavam os dias, puxando-os num carro de bois, pouco tempo tinham para descansar e festejar o passar dos tempos. Não importava - a vida é assim. E no entanto, uma lasca de saudade percorre o corpo da mulher. Como um choque de nostalgia, a combater toda aquela apatia, procura lembrar-se do momento exacto no tempo em que desistiu de contar os anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Joana tinha 20 anos, e como todas as raparigas de vinte anos, queria algo extraordinário para a sua vida. No seu caso, não um emprego extraordinário, nem extraordinárias viagens - mas, simplesmente, uma vida extraordináriamente pacífica.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Não - diz a mulher - foi antes disso.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Joana tinha então 15 anos, e como todas as raparigas de quinze anos, queria algo fantástico na sua vida.  No seu caso, não era ser fantásticamente popular, nem fantásticamente boa em alguma coisa. Ela só queria um beijo fantástico. "O" beijo. Isto pode parecer fútil a muita gente, mas para Joana, pouco importava. Aliás, não partilhava com ninguém o seu secretíssimo segredo - nunca tinha dado um beijo a ninguém. Não que não tivessem surgido oportunidades, mas porque Joana nunca tinha conhecido o rapaz perfeito no momento perfeito. Pelo menos, era o que lhe parecia. E ela queria que o seu primeiro beijo fosse tão bom, que todos os seus beijos seguintes iam sentir inveja daquele primeiro. Queria lembrar-se dele para o resto da sua vida - porque, afinal, já tinha passado o que lhe parecia muito tempo a pensar naquilo, e não podia ser em vão. Mas Joana foi ficando mais ansiosa, e cada vez mais ansiosa. Com o seu corpo já de mulherzinha, perguntava-se se alguma vez iria poder sucumbir às atenções de algum rapaz - que por aquela altura eram mais que muitas. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Foi então que chegou o verão - outro verão, à muitos anos. Joana, rodeada por alguns rapazinhos, já sentia a sexualidade fazer-lhe cócegas no estômago e as papilas a contrairem-se de cada vez que uma mão masculina lhe tocava. Mas havia mais - não pela primeira vez - Joana apaixonou-se perdidamente por um rapaz - só não sabia se era o perfeito. Consciente das atenções melosas que a rapariguinha lhe dava, o rapaz avançou. Mas ela não sabia se ele era "O" fantástico. Até que um dia, desistiu de esperar e entregou-se aos braços dele, deitando a perder a sua espera. Ou não. Porque aquele beijo, aqule singular e fantástico beijo formigou-lhe a espinha e vibrou-lhe até à ponta dos cabelos pretos. A partir daí, tudo foi fantástico. Davam longos passeios à noite, contemplando as estrelas; e longos passeios de dia, contamplando-se um ao outro, ou a qualquer outra coisa. Pouco importava - porque quando davam as mãos eram um, os corpor vibravam em uníssono. Às escondidas, colados um ao outro, com o corpo coberto de suor, sentia o palpitar forte do seu peito contra o dela, o seu corpo rigído, os seus dedos macios. Era tudo tão fantásticamente intenso, tão perfeitamente fantástico, que durante dias e dias qualquer capacidade de pensameto coerente foi chupada da cabeça de Joana pelos bonitos olhos do seu parceiro. E ela já tinha "O" beijo fantástico. E mais. Tinha "O" namorado fantástico. "A" primeira vez fantástica. Tudo era perfeito e ia continuar assim para sempre! Até que o verão acabou. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Joana não se recordava bem de como tinha terminado a relação dos dois. Lembrava-se de o ver menos, e menos vezes - e de pensar nele menos, e menos tempo. E depois já nunca mais pensava nele. Até ao dia em que se lembrou da sua existência, dos seus longos beijos, dos seus dedos quentes a afastarem-lhe o cabelo da cara e a puxarem-na pela cintura. E só aí chorou, desalmadamente, quando percebeu que o tinha perdido para sempre - mas que ele, tão perfeito, continuaria para sempre com ela. Ele era o seu principe encantado. Era todo "O" fantástico que poderia ter na vida. E já não fazia parte dela.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Foi então que decidiu que não queria mais nada de fantástico na sua vida. Nem beijos fantásticos, nem sexo fantástico, nem palavras fantásticas proferidas a meio da noite. Joana só queria uma existência pacífica. Mas não era assim tão diferente das outras raparigas.&lt;br /&gt;Joana tinha 20 anos, e como todas as raparigas de vinte anos, queria algo extraordinário para a sua vida. No seu caso, não um emprego extraordinário, nem extraordinárias viagens - mas, simplesmente, uma vida extraordináriamente pacífica. Foi então que conheceu Jorge, e Francisco, e Fernando - por esta ordem. E depois casou com Jorge. Não se importava com a sua obcessão pelas arrumações, pelo medo dos estrangeiros que o levava a inúmeras confusões. Não ligava às suas incursões violentas, nem ao desleixo total do marido, ou ao mau hálito. A vida conjugal era pacífica, ele ajudava no que conseguia dado os limites da sua personalidade, lutando sempre com uma timidês crónica e um cérebro não-assim-tão-inteligente. Mas era tudo o que ela poderia pedir - fiel, e à sua maneira puro. Ainda não tinham filhos, mas era um desejo crescente nos dois. O sexo não era assim tão bom. Era normal. E nem por isso Joana era infeliz.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem por isso Joana é infeliz. Jorge, smi-acodado, cambaleia até à casa-de-banho. Não é o marido ideal, mas faz tudo o que pode. Joana, sentada no cadeirão, espera que a novela recomece. A vida é mesmo assim. "A vida é mesmo assim" - pensa. Não há sempre coisas extraordinárias e fantásticas para contar, a maior parte das vezes vivemos numa rotina leda e não há nada a fazer. Às vezes, ainda pensa no outro, no seu primeiro beijo. Mas pouco interessa agora - nunca mais o viu, e nem queria. O mundo está no lugar certo. Ao fundo do corredor, Jorge grunhe algo parecido com "Boa Noite".&lt;br /&gt;Nem por isso são infelizes. Naturalmente, têm os seus bons e maus momentos, sendo que os últimos ficam mais tempo na cabeça por uma questão de temperamento. Já não vale é a pena contar os anos que lá vão. Porque não. Porque nem por isso são felizes também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estão naquela ténue linha que separa o sonho do pesadelo. Habitam na realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Também, porque os sapos, apesar de verdes, cheios de rugas, pegajosos e estranhos, duram mais que os principes encantados perfeitos. Como são colossalmente perfeitos, têm muita coisa a fazer no mundo." - pensa, mesmo antes do genérico da novela começar.&lt;br /&gt;A suave melodia espalha-se pela sala. Assim como o ar quente e as memórias de outros tempos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paz não é monotonia? - Pergunta-lhe a sua fotografia, de 15 anos, em cima da lareira.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3429648780791513396-2052887333563595434?l=paronimas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paronimas.blogspot.com/feeds/2052887333563595434/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3429648780791513396&amp;postID=2052887333563595434' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3429648780791513396/posts/default/2052887333563595434'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3429648780791513396/posts/default/2052887333563595434'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paronimas.blogspot.com/2007/06/paz-no-monotonia.html' title='Paz não é monotonia?'/><author><name>[lunatic]</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07153531753622211031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://hgwells.com.sapo.pt/The_Angst____by_Kitto.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3429648780791513396.post-8297657562471561142</id><published>2007-05-31T10:57:00.000Z</published><updated>2007-05-31T11:32:05.720Z</updated><title type='text'>It's a big, big world</title><content type='html'>“I don’t want to be depressed any longer. This is the end. For now on, I’m going to smile 16/24 hours, (because I’ll have to sleep to, you know, happy people don’t get insomnias, do they?)  I’m going to work hard and study hard all fuckyng books and chapters that I have stored in the attic.  And I’m returning to my passed “I don’t think I don’t care” mood, I’ll just live for today but I won’t care about any metaphysic problems that grow up in these stupid books.  ‘Cause I have finally identified my problem. I read too much confusing books. And its society, and TV, and parents who try to mislead us saying reading books is a good thing. I’m telling you here, some books are evil.  Some books have the power to make you think in things that have the power to make you cry. And I’ve read them, so many of them. And after them, movies inspired by them. And I’ve downloaded pictures inspired by these movies.&lt;br /&gt;Actually life is already too depressing without any of these cultural jewels. My mamma would say – leave the books on the shelves and you head in university – but unfortunately, I haven’t inherited her brains. And as you all know, I quite dislike university. That is just one of my problems. Probably the most important one, at least at long-time terms. But right now, there are some other things to think about. You don’t know me well enough to know them, and some times, neither do I. Because sometimes there are just too many of them wandering in my head and the only solution I can find is to fly away… from me. Weird? Well, maybe I’m weird. Or maybe I just read too many books! Any way, I feel like I’m out of here, like it doesn’t matter if I win or fail, if I pass or flunk, if I live or dye. And It’s definitely easier, but I’ never 100% here, nor 100% there. I’m live-dead or dead-alive, but not any of this things for certain. At this point (if my mother ever read what I write) she would be yearning to an end, with a very impatient look or her face. That’s my mom. She suffered a big-deal in her life so she doesn’t understand how well-raised and well-secured teenagers can suffer. And she’s right. I have everything I could ever want. Maybe that’s part of the problem. I should wand more. As she once said “you must be ambitious if you want to be someone in life” – well I don’t. And I’m not. I’m just waiting… to be killed. By time, by a car, by a disease. Just waiting. And now that I think about it this is quite depressing. And sad. I didn’t mean to be sad, or a victim. I know that I have friends that think that I do. They’re good friends; they just don’t like sad people. They like happy people. Everybody does, really. The more good-intentioned you are, someday you get tired of talking with a person who is 22/24 hours with a bad/depressing humor.&lt;br /&gt;But today, I don’t want to be depressed any more. I want to get up and fight whatever is the obstacle that sands right ahead. I want to be like my mother, and to live like all those persons who I see in school. I don’t want to be sad.” – said the little ant just before someone crushed her.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3429648780791513396-8297657562471561142?l=paronimas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paronimas.blogspot.com/feeds/8297657562471561142/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3429648780791513396&amp;postID=8297657562471561142' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3429648780791513396/posts/default/8297657562471561142'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3429648780791513396/posts/default/8297657562471561142'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paronimas.blogspot.com/2007/05/its-big-big-world.html' title='It&apos;s a big, big world'/><author><name>[lunatic]</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07153531753622211031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://hgwells.com.sapo.pt/The_Angst____by_Kitto.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3429648780791513396.post-1454622458568821240</id><published>2007-05-30T23:59:00.000Z</published><updated>2007-05-31T00:41:36.790Z</updated><title type='text'>Vareja</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Era uma vez uma mosca varejeira sã que sabia que era Napoleão. E antes que pensem nisso, não - ela não pertencia no manicómio. Porque apesar do que as medíocres cabeças humanas possam pensar, a mosca varejeira verdadeiramente acreditava que era Napoleão - e a isso chama-se fé, não loucura. Por outro lado, não há estudos que comprovem que as moscas varejeiras têm o que podemos chamar de inteligência, e por isso uma mosca varejeira sã que sabe que é Napoleão não se enquadra em lado nenhum. Continuando. Esta mosca era, como era de esperar, portuguesa - (se não não se chamava varejeira, mas Blowfly Maggot, ou outra coisa qualquer) e planeava desde larva, uma viagem à França, onde acreditava que o seu destino ia ser revelado. No entanto, as moscas só vivem 24horas! E se a manhã a mosca passou a engendrar o seu maravilhoso plano (como sabem, as moscas não são dotadas de uma grande velocidade de pensamento), depois do meio dia já tinha poucas horas para o executar. Voou até ao Aeroporto de Lisboa, e a muito custo poisou dentro da aba de um boné. E aí foi, muito quieta (novamente, algo que toda a gente sabe ser muito dificil para as moscas varejeiras portuguesas). O voo chegou às 19:30, e a mosca sofria de um profundo jet lag. Mas nem isso a fez parar. Levantou voo, meio aos trambulhões, tentou por em prática o seu espírito de liderança com as outras moscas - Venham! Toda a riqueza dos macacos de duas pernas será nossa! Não seremos mais obrigadas a fugir! Conquistaremos a França, e depois a Europa, e depois o Mundo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sei que vocês não fazem ideia, mas as moscas são extremamente ambiciosas. Assim como nós. Então, mesmo com a barreira da língua, não foi difícil convence-la. Uniram-se em frentes para atacar, primeiro, os líderes. "Porque sem líderes, um povo fica mais perdido!" Entraram pelas janelas - milhares de moscas - e saltaram para cima de Sarkozy caminhando rapidamente com as suas patas peludas - começaram por por ovos nos projectos-lei e obstruir os telefones, emaranharam o cabelo das secretárias... mas rapidamente e vindo do nada o poderoso spray anti-insecto descolou-as de todos os lugares. As moscas, aos milhares, caíram no chão arqueando os corpos e tremelicando as patas. Os olhos brilharam por uma última vez, antes de todas se contraírem e secarem na espuma química.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Só a mosca varejeira conseguiu fugir. Cambaleou, intoxicada, envenenada, até à estátua de napleão. Deixou-se cair no dorso. Talvez, na próxima reencarnação - pensou, antes de morrer também, paralizando-se no sol escaldante.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Talvez na próxima reencarnação - porque para os que pensam&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;a mente está sempre acima da matéria.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3429648780791513396-1454622458568821240?l=paronimas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paronimas.blogspot.com/feeds/1454622458568821240/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3429648780791513396&amp;postID=1454622458568821240' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3429648780791513396/posts/default/1454622458568821240'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3429648780791513396/posts/default/1454622458568821240'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paronimas.blogspot.com/2007/05/vareja.html' title='Vareja'/><author><name>[lunatic]</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07153531753622211031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://hgwells.com.sapo.pt/The_Angst____by_Kitto.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3429648780791513396.post-6537141040654785833</id><published>2007-05-26T11:47:00.000Z</published><updated>2007-05-26T12:02:38.578Z</updated><title type='text'>A minha cabeça dói</title><content type='html'>Eu preferia que gritasses. E com os polegares marcando-me as costas, que me abanasses o corpo doloroso. Que me dissesses palavras aguçadas, que me cortasses com elas o coração em farrapos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não me apetece ver ninguém. Não me apetece mover-me sequer. O breve movimento das minhas mãos sobre o teclado pesa-me nos músculos dos braços e na nuca. Respirar custa, como se nunca o tivesse feito. Não me apetece ver - não quero ver ninguém. Mas quero um abraço. Um abraço quente que me envolva noutra coisa qualquer que não este mundo. Quero sentir a pele de alguém contra a minha, quero um segundo só! Um segundo só de vida por o que parece uma eternidade de farrapos moribundos. Respirar custa. Pensar dói.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixaste tertúlias de odor na minha almofada, e ela não me deixa esquecer-te. Mas o sono esquece-te, transformando o teu rosto num emaranhado de manchas cremes. Só me lembro dos teus olhos cruzados de veias vermelhas. Só me lembro do teu carinho [a minha cabeça dói]. Se voltares já... volta! Se voltares eu peço perdão! Mas não voltas, e o perdão não chega, e choras porque eu choro e eu nem sei porquê!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não posso continuar assim.&lt;br /&gt;Tem de ser.&lt;br /&gt;Será que já chegaste?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3429648780791513396-6537141040654785833?l=paronimas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paronimas.blogspot.com/feeds/6537141040654785833/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3429648780791513396&amp;postID=6537141040654785833' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3429648780791513396/posts/default/6537141040654785833'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3429648780791513396/posts/default/6537141040654785833'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paronimas.blogspot.com/2007/05/minha-cabea-di.html' title='A minha cabeça dói'/><author><name>[lunatic]</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07153531753622211031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://hgwells.com.sapo.pt/The_Angst____by_Kitto.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3429648780791513396.post-9185460182484010463</id><published>2007-05-26T07:56:00.000Z</published><updated>2007-05-26T08:14:28.335Z</updated><title type='text'>(riso)</title><content type='html'>(silêncio)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As palavras escapam às nossas bocas ou nós escapamos ao entendimento?&lt;br /&gt;O que fica são perguntas em aberto. Sempre perguntas em aberto, porque as respostas multiplicam-se em palavras de costas voltadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se calhar é tudo muito simples, e os meus olhos estão sujos.&lt;br /&gt;Mas só vejo perguntas, e nem percepciono o sentido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Chorava balançando-se na janela. E ele dizia (chora, que faz bem à alma). Mas não fazia - faz bem ao corpo. Faz bem à efemeridade, à vociferação do momento, faz bem ao ponto final. E é por isso que ela chora agora. Porque às vezes ela ria, mas não para sempre. Mas ele ria sempre. E ele dizia (rir é a cura para todos os males). Mas não era - pelo menos não o riso dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - A culpa era dela. Nunca se deixara passar de um par de ligas vermelhas - daquelas que só se vêm nos filmes, e que só neles capturam o seu sentido. Um par de ligas vermelhas, atraentes, que circundavam a sua normalidade de um ponteado vermelho-escarlate. *Ah, se ela soubesse* E sabia. No fundo sabia que enquanto aceitasse aquele presente, seria como ele: um toque de sexo e um sorriso largo. Não um sorriso, um riso. Um gozo. E assim continuou o tempo, arrastando-a numas ligas pretas com laços vermelho-escarlate.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - E o tempo passa (mesmo sem sermos todos cães vagabundos). Mas nem muda assim tanto. O tecido é o mesmo. E ela vestia outras coisas, mas na sua mente estavam sempre as ligas. O seu fato sóbrio, preto, escurecia-lhe até a pele. Mas ele ria. E ela falava. E ele ria. E ela movia-se - e ele ria novamente. Porque tinha graça. Porque sim. Porque ela o fazia rir, incessantemente, com tudo o que dizia e fazia sem ser... chorar. (Se parares quieta) dizia ele, (se parares eu não me rio mais). Se tivesse parado de falar, se tivesse parado de dizer, de pensar - ele parava de rir. Durante uns tempos chorou - mas ninguém pode chorar para sempre. Durante uns tempos seleccionou todas as palavras que dizia à sua frente. Mas é cansativo, e passado pouco tempo, já não havia palavras. Havia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(silêncio)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e uma data de perguntas a fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Não posso chorar mais - dizia - e não posso mais ouvir-te rir. Prefiro votar-nos ao silêncio a viver como uma piada ambulante. Porque se tu não vês mais em mim do que um par de risos - e se o vês, só o mostras quando choro - eu não posso ver mais em ti do que um voto de silêncio. Não posso chorar mais - fungava - só isso. E depois chorou.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3429648780791513396-9185460182484010463?l=paronimas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paronimas.blogspot.com/feeds/9185460182484010463/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3429648780791513396&amp;postID=9185460182484010463' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3429648780791513396/posts/default/9185460182484010463'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3429648780791513396/posts/default/9185460182484010463'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paronimas.blogspot.com/2007/05/riso.html' title='(riso)'/><author><name>[lunatic]</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07153531753622211031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://hgwells.com.sapo.pt/The_Angst____by_Kitto.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3429648780791513396.post-8753808954665024979</id><published>2007-05-22T10:46:00.000Z</published><updated>2007-05-22T10:48:58.455Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>Se pudesse procurar o que te faz chorar no Google, mas duvido que encontrasse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só sei se me disseres.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3429648780791513396-8753808954665024979?l=paronimas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paronimas.blogspot.com/feeds/8753808954665024979/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3429648780791513396&amp;postID=8753808954665024979' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3429648780791513396/posts/default/8753808954665024979'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3429648780791513396/posts/default/8753808954665024979'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paronimas.blogspot.com/2007/05/se-pudesse-procurar-o-que-te-faz-chorar.html' title=''/><author><name>[lunatic]</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07153531753622211031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://hgwells.com.sapo.pt/The_Angst____by_Kitto.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3429648780791513396.post-6775514661088410387</id><published>2007-05-22T09:50:00.000Z</published><updated>2007-05-22T10:42:33.803Z</updated><title type='text'>História de amor</title><content type='html'>Era uma vez uma flor carnívora e um dente-de-leão. A flor carnívora era daquelas flores que só era bonita aos olhos de quem a via. E esta em questão, nem por isso era muito colorida. Ninguém sabia quem a tinha magoado - e ninguém perguntava  - (porque eram) assuntos pessoais. E a gigantesca flor carnívora, pouco balançava ao vento, mas gemia - naquela língua silenciosa das plantas que pouca gente fala.&lt;br /&gt;Gemia porque no seu interior um bocadinho de tecido tinha sido rasgado, sem ninguém reparar - e à vista de todos. E a flor gemia. E os dias passavam.&lt;br /&gt;As flores não aguentam muito tempo, por si só. E muito menos quando estão rasgadas, porque vão secando e morrendo, ficando amareladas à medida que as horas passam. Depois estaladiças até se partirem com a mais leve brisa de sol. Foi isso que aconteceu à grande flor carnívora. Secou, pouco a pouco, tirando a beleza de todo o jardim com o seu aspecto. Qualquer flor que se aproximasse sentia o cheiro a morte que ela exalava. E mesmo que, por alguma razão, não sentissem aquele presságio fétido, ela própria afastava-as consciente que as suas raízes não aguentariam a disputa de água que implica o contacto mais próximo.&lt;br /&gt;Ora um dia uma erva daninha cresceu atrás da flor carnívora, sem que ela se apercebesse. As ervas daninhas têm esse dom, de crescer depressa e sem serem vistas. De um dia para o outro lá estava. E as suas raízes finas enrodilharam-se na da moribunda, e pingavam água para as suas. A flor carnívora não queria, mas habituou-se. O hábito é um sintoma perturbador - e passado algum tempo até sentiria a diferença se ela se fosse embora. Mais algum tempo sentia falta. Mais tempo e sentia saudade. E quando à noite a erva daninha dormia, a flor carnívora sentia saudade, e ansiava que o sol nascesse para poder ouvir as joaninha a treparem o seu caule e o vento a dançar com as suas flores. Havia dias em que a erva-daninha estava triste, e chorava - e a planta carnívora aprendeu a confortá-la, aprendeu, habituou-se - e até gostava.&lt;br /&gt;A erva daninha também não era perfeita e por vezes deixava escapar leves secreções de hábito, e pensava para consigo - como a flor carnívora era diferente das outras. Primeiro essa diferença atraíu-o a brotar por ali. Mas agora, agora que via as outras no outro canteiro, com as pétalas brancas e vermelhas viradas para o sol, tudo aquilo lhe parecia horrivelmente... aborrecido. Não queria magoar a planta, não tinha nada a ver com isso. Mas quando a primavera brilhou no jardim e a planta carnívora  continuou igual, não podia evitar admirá-las! Foi assim que começou, inconscientemente (porque as plantas têm uma consciência muito limitada), a planear soltar-se e voar para o outro lado.&lt;br /&gt;A planta carnívora, muito antes disto, avisada pelas feridas abertas, tentou deslocar as suas raízes. Mas cada posição era mais desconfortável que a outra; a erva daninha não reparava mas tecia comentários que, tendo como intenção trazer-lhe um sorriso às pétalas, eram como pequenas gotas ácidas nos veios doentes da planta carnívora. Porque ela não era tão grande como parecia, e o seu centro já seco doía-lhe como nunca.  Lutou para se afastar. E nada. Nem um milímetro se consegua mexer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes que a erva daninha voasse para longe,&lt;br /&gt;a flor carnívora secou e apodreceu no chão.&lt;br /&gt;(Das suas energias nasceram outras, mais bonitas,&lt;br /&gt;e com histórias de amor tão mais legíveis que esta).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E foi melhor assim. Fim&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3429648780791513396-6775514661088410387?l=paronimas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paronimas.blogspot.com/feeds/6775514661088410387/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3429648780791513396&amp;postID=6775514661088410387' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3429648780791513396/posts/default/6775514661088410387'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3429648780791513396/posts/default/6775514661088410387'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paronimas.blogspot.com/2007/05/histria-de-amor.html' title='História de amor'/><author><name>[lunatic]</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07153531753622211031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://hgwells.com.sapo.pt/The_Angst____by_Kitto.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3429648780791513396.post-5267225011049142826</id><published>2007-05-21T23:39:00.000Z</published><updated>2007-05-22T11:31:01.537Z</updated><title type='text'>Vinni my love</title><content type='html'>Mim estar apaixonada por Vinni Puh de khytruc. Mi gosta muuuito. Pena n haver cm muitas subtitles... o primeiro é tão giro.. mas cá vai o que encontrei, se alguém souber de mais imploro q avisem.. :P&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object height="350" width="425"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/qam9JBk5Oig"&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/qam9JBk5Oig" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" height="350" width="425"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;Nunca gostei do outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://winnie-the-pooh.ru/english.html"&gt;Vinni Puh site!!&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3429648780791513396-5267225011049142826?l=paronimas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paronimas.blogspot.com/feeds/5267225011049142826/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3429648780791513396&amp;postID=5267225011049142826' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3429648780791513396/posts/default/5267225011049142826'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3429648780791513396/posts/default/5267225011049142826'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paronimas.blogspot.com/2007/05/vinni-my-love.html' title='Vinni my love'/><author><name>[lunatic]</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07153531753622211031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://hgwells.com.sapo.pt/The_Angst____by_Kitto.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3429648780791513396.post-3601850333433188447</id><published>2007-05-21T22:48:00.000Z</published><updated>2007-05-21T23:27:32.832Z</updated><title type='text'>Moldura</title><content type='html'>A maior ambição da "madama" era caber numa moldura perfeita. Mas, apesar da nobreza de carácter, madama era de famílias não muito abastadas, e por isso não teria jamais uma moldura feita à medida.&lt;br /&gt;O primeiro passo foi seleccionar qual das molduras disponíveis no mercado social. Claro que madama já tinha uma singela moldura, com um pequeno limite preto e branco que combinava muito bem com o seu papel - mas ela queria mais. Ela queria uma moldura como aquelas que via passear nas paredes mais altas: aquelas molduras de estilo rococó que reflectiam a luz do sol de dia e emanavam reflexos dourados à noite.&lt;br /&gt;- Ah... quem me dera ter uma moldura tão dourada que até o sol sentisse inveja...! - murmurava madama, à noite.&lt;br /&gt;O pior é que a madama teve poucas oportunidades na vida, e em breve todas as suas amigas já tinham molduras modernas, redondas, mágicas e suspensas. E ela ouvia os seus sorrisinhos arratados, que caiam como pequenas facas no seu ego.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como ia dizendo, madama seleccionou a moldura que lhe convinha. E passado algum tempo, com muito, muito esforço, subiu mais um bocadinho na parede. Sobre a sua moldura cresceram bolinhas coloridas - e ela era agora uma moldura de estilo moderno. Mas lá em cima, algumas amigas ainda tertuliavam, acusando-a de ter uma moldura popular. E madama batalhou, batalhou, desviou verdades, manipulou... até ter a sua bela moldura rococó. Mas já não lhe era suficiente. Queria duplamente rococó. Triplamente rococó. Subiu na parede até ultrapassar o teto e colar-se às nuvens. Quadruplamente rococó.  Já só sobrava um pequeno quadrado de madama, a espreitar da sua monumental  moldura. Quintuplamente rococó - as camadas e camadas de ouro talhado começaram a sufocá-la. Mas já tinha perdido tanto e lutado tanto... E se ultrapassasse o céu, e se ultrapassasse as estrelas, os astros, e  chegasse ao infinito?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas quando chegou lá em cima, ao absoluto, ao grande vazio... era... um pouco vazio. E.. um pouco sufocante...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez se a moldura fosse maior a vissem...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(e depois... a moldura cobriu-lhe a face, e madama despareceu pa sempre.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[plágio da monstra]&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3429648780791513396-3601850333433188447?l=paronimas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paronimas.blogspot.com/feeds/3601850333433188447/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3429648780791513396&amp;postID=3601850333433188447' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3429648780791513396/posts/default/3601850333433188447'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3429648780791513396/posts/default/3601850333433188447'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paronimas.blogspot.com/2007/05/moldura.html' title='Moldura'/><author><name>[lunatic]</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07153531753622211031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://hgwells.com.sapo.pt/The_Angst____by_Kitto.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3429648780791513396.post-9078707955421407788</id><published>2007-05-21T19:00:00.000Z</published><updated>2007-05-21T19:12:24.220Z</updated><title type='text'>Ambivalente</title><content type='html'>Ela tem uma cara simpática. E é simpática. Mas também não o é - e como não é, decididamente, concreta (sem ser o seu corpo curvado), não precisa de ser bivalente. É mórbida, e sádica, e gosta de chocar as pessoas porque está farta que elas a choquem com coisas normais e queridas. Ri-se de boca  aberta e chora de cigarro na boca. E sabe o que quer, mas não quer aquilo que sabe que quer. E às vezes fica calada, durante muito tempo... enquanto canta. E ás vezes não.&lt;br /&gt;Pode-se dizer que ela é extremista. Na verdade, ela é muito extremista. Mas não pode evitar sê-lo porque é a única coisa que sabe com certeza que é.&lt;br /&gt;Ela é simpática. Muito simpática. Mas também não o é, um pouco como toda a gente, mas de forma mais exagerada. E não sabe se o é para chocar - só sabe que o choca sendo. E isso ora a alimenta, ora a mata por dentro. Hoje foi um destes - e quase que dos outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conclusão: assim como as expressões não-lógicas são discriminadas na lógica formal, as expressões lógicas não podem ser aplicadas à lógica pessoal sem que se perca metade do seu valor. Porque as pessoas não têm métodos formais lógicos, nem construções formais, pelo contrário - se é que existe um contrário passível de ser verbalizado!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3429648780791513396-9078707955421407788?l=paronimas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paronimas.blogspot.com/feeds/9078707955421407788/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3429648780791513396&amp;postID=9078707955421407788' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3429648780791513396/posts/default/9078707955421407788'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3429648780791513396/posts/default/9078707955421407788'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paronimas.blogspot.com/2007/05/ambivalente.html' title='Ambivalente'/><author><name>[lunatic]</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07153531753622211031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://hgwells.com.sapo.pt/The_Angst____by_Kitto.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3429648780791513396.post-6396402636214727058</id><published>2007-05-20T22:56:00.000Z</published><updated>2007-05-21T12:31:28.857Z</updated><title type='text'>O poço dos desejos</title><content type='html'>Yoruyume-san era ainda um jovem rapaz quando encontrou um poço dos desejos atrás da casa da sua avó, no Norte. Agora, para aqueles que nunca viram um poço dos desejos, é certamente difícil imaginarem-no, mas vou tentar descrevê-lo como Yoroyume o viu: de longe, era como um muro em círculo, um muro de pedra creme rugosa, com carácteres romanos escritos em toda a sua volta. Pensar-se-ia que as suas pedras estivessem escuras e gastas como nos filmes, e no entanto eram claras e macias ao toque. De perto, via-se as magníficas pedras preciosas que tinha incrustadas no topo, e as flores raríssimas que cresciam à sua volta, bebendo a sua água mágica.  Em cima tinha um pequeno tejadilho verde-escuro, que protegia do sol que (só naquele lugar) batia directamente, já que se abria uma pequena clareira entre os pinheiros selvagens. Do tejadilho pendiam finíssimos tubos de metal que ao balançarem ao vento tirlintavam. O calor abafava naquela tarde de fins de primavera, e o pequeno Yoru sentou-se ao lado do muro, à sombra do tejadilho. As tábuas de madeira estavam desenhadas a fio de ouro, e pequenas moscas-fadas brilhantes saltavam e dançavam entre elas de cabeça para baixo (porque como toda a gente sabe, o mundo das fadas é ao contrário). Encantado com as suas vozes mágicas e com as cores dos seus olhos, o menino começou a escavar no fundo do bolso das calças de ganga, até encontrar cinco escudos mesmo colados a um bocado de rebuçado derretido. Depois de a limpar convenientemente deixando apenas alguns bocadinhos de corante vermelho entre as bordas da moeda, levantou-se e espreitou lá para baixo. O poço era fundo, mas do seu fundo não vinha um ar abafado nem tropical - vinha um fumo, uma aragem fresca com odor a baunilha e a arroz doce  - e a canela! Dobrou a língua, fechou os olhos com muita força e pos-se na posição em que se pedem os desejos aos poços dos desejos (de pé coxinho, com a mão direita atrás das costas e a mão esquerda o mais no ar possível). Depois gritou bem alto: "Poço dos desejos, fadas magicas do poço, concedam-me este desejo!" e abriu a mão, largando a moeda que caiu lentamente, como se o ar no poço fosse diferente. Foi então que se lembrou - mas qual desejo?! Oh não... pois sim, o pequeno Yoru esquecera-se do desejo. Girou as rodas dentadas do cérebro o mais rápido possível - queria que o pai voltasse - queria que o desenho que pintara atrás do sofá desaparecesse - queria que todos andassem atrás dele na escola:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quero ser feliz! -&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;toc!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(mesmo a tempo da moeda cair no fundo do poço)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     Yoruyume-san não sabia bem porque tinha dito aquilo. Talvez ao pensar nas sardinhas da vizinha...! E as moscas-fadas ficaram de repente com um ar muito chateado e ofendido, a andarem de um lado para o outro tão depressa que até a cabeça lhe doía! Uma delas pairou no centro do poço e estendeu a mão. Parecia querer fazer as pazes, como as professoras obrigavam lá na escola. O que quer que ele tivesse feito para as ofender tanto... assim estaria resolvido. Yoruyume estendeu o braço, esticou-o o mais que pode e empoleirou-se na berma para conseguir lá chegar. Quando o seu dedo indicador tocou na pequena mão da mosca-fada, um sorriso maldoso e disforme emergiu na cara da fada, e os seus olhos tornaram-se pequeninos, pequeninos... Foi então que Yoroyume olhou para baixo e se apercebeu que caía. Mais tarde diria que a queda dentro daquele poço era como mergulhar em espuma de sabão: o as parecia feito de almofadas de penas (ou talvez esse fosse um sonho). Estava a cair, atrás da moeda, no fundo do poço mágico. E caía... caía... tão devagar que não resistiu, e, depois das lágrimas terem voado, adormeceu a fungar encostado a uma lufada de ar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3429648780791513396-6396402636214727058?l=paronimas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paronimas.blogspot.com/feeds/6396402636214727058/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3429648780791513396&amp;postID=6396402636214727058' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3429648780791513396/posts/default/6396402636214727058'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3429648780791513396/posts/default/6396402636214727058'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paronimas.blogspot.com/2007/05/o-poo-dos-desejos.html' title='O poço dos desejos'/><author><name>[lunatic]</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07153531753622211031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://hgwells.com.sapo.pt/The_Angst____by_Kitto.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3429648780791513396.post-151374057387266257</id><published>2007-05-20T02:16:00.000Z</published><updated>2007-05-20T02:17:36.655Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>Tenho medo do escuro e só consigo dormir de manhã. E agora, como é que eu vivo?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3429648780791513396-151374057387266257?l=paronimas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paronimas.blogspot.com/feeds/151374057387266257/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3429648780791513396&amp;postID=151374057387266257' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3429648780791513396/posts/default/151374057387266257'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3429648780791513396/posts/default/151374057387266257'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paronimas.blogspot.com/2007/05/tenho-medo-do-escuro-e-s-consigo-dormir.html' title=''/><author><name>[lunatic]</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07153531753622211031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://hgwells.com.sapo.pt/The_Angst____by_Kitto.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3429648780791513396.post-3234618280360690202</id><published>2007-05-20T02:07:00.001Z</published><updated>2007-05-20T02:14:50.867Z</updated><title type='text'>Dói</title><content type='html'>Quando te toquei, pensei, articulei inconscientemente - que gostava de ti.&lt;br /&gt;E quando articulei conscientemente que gostava de ti, pensei que talvez só te queria tocar.&lt;br /&gt;E agora pergunto-te, qual é a lógica afinal?&lt;br /&gt;É que as coisas não são lógicas e não têm sempre raciocínios concretos e lógicas e provas.&lt;br /&gt;O que acontece é que somos pessoas e por isso sentimos por fora e por dentro.&lt;br /&gt;No preto e no branco.&lt;br /&gt;E mais do que sentir, queremos saber o que sentimos - pensamos: e dói pensar.&lt;br /&gt;E dói não saber.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas estar contigo não dói. É só isso que eu sei.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3429648780791513396-3234618280360690202?l=paronimas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paronimas.blogspot.com/feeds/3234618280360690202/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3429648780791513396&amp;postID=3234618280360690202' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3429648780791513396/posts/default/3234618280360690202'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3429648780791513396/posts/default/3234618280360690202'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paronimas.blogspot.com/2007/05/di.html' title='Dói'/><author><name>[lunatic]</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07153531753622211031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://hgwells.com.sapo.pt/The_Angst____by_Kitto.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3429648780791513396.post-5520947339033297279</id><published>2007-05-20T01:45:00.001Z</published><updated>2007-05-20T02:05:09.972Z</updated><title type='text'>Paz</title><content type='html'>O certo é que nunca gostei de estar sozinha. A frase "mais vale estar sozinho que mal acompanhado" nunca se aplicou. E nem era por estar desesperada por ter uma qualquer companhia, mas sim por estar desesperada para não estar comigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parecido, mas na minha opinião pior, do que não nos conhecermos a nós mesmos, é conhecermo-nos e termos medo daquilo que conhecemos - e aí está o que acontece comigo. Mas às vezes, por mais amigos que tenhamos, por mais engates e conhecidos, damos por nós sozinhos: de musica ligada e livro na mão. E assim, sozinha, como raramente estou, estava eu: deitada no meu colchão (a cama partiu-se à meses), de óculos postos, jazz ligado e livro na mão. Mas algo estava mal. Eu acordei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora quando digo "acordei", o que quero dizer é... a minha alma acordou. Aquela que dorme, que é como os írrequietos demónios que só surgem quando menos são esperados. E de qualquer forma, a minha alma ouve muito bem. E ela ouviu que eu estava sozinha, escutou atentamente o silêncio do resto da casa, e espreguiçou-se. Acordou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava a dizer - muito relaxada, (e daí talvez não), na minha posição normal quase adormecida. Foi quando a música se desligou. O receio miudinho que me vibrava nas veias azuis já desde cedo cresceu até se tornar num zumbido palpavél, cortante. O ar à minha volta pesou e explodiu no cão, tornando-o espesso. Não conseguia ver nada - tirei os óculos e espremi os olhos. Foi então que ouvi, claramente, como se alguém estivesse a gritá-lo ao meu lado: "O amor dói!" Foi uma voz anónima, sem sexo, sem som: e no entanto mais real e memorável que memórias reais. Ouvi-a na minha cabeça. Pensei imediatamente que devia ter ficado a dormir na casa da amiga, que tanto tinha insistido. Mas não, numa atitude sem reflexo, decidi vir dormir a casa, sozinha. Levantei-me num salto, instintivamente, e disse em voz alta, "Eu ainda estou aqui, não apareças!". Estava-me a referir, claro, ao fantasma que mora atrás do meu guarda-fato. Mas desta vez, não era ele que falava. Corri para o computador e recoloquei a musica. O som que entretanto se instalara, como um crepitar surdo com ecos limitados, calou-se subitamente. A música salvou-me, para variar. Porque a música, à noite, acalma os ouvidos da alma. E eu preciso de paz para dormir.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3429648780791513396-5520947339033297279?l=paronimas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paronimas.blogspot.com/feeds/5520947339033297279/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3429648780791513396&amp;postID=5520947339033297279' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3429648780791513396/posts/default/5520947339033297279'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3429648780791513396/posts/default/5520947339033297279'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paronimas.blogspot.com/2007/05/paz.html' title='Paz'/><author><name>[lunatic]</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07153531753622211031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://hgwells.com.sapo.pt/The_Angst____by_Kitto.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3429648780791513396.post-1168962502591524474</id><published>2007-05-15T11:54:00.000Z</published><updated>2007-05-15T12:53:41.516Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>People are strange. We can know someone for ages and not know anything about him, but the color of his hair and (maybe) his eyes. And we can meet someone and in a few seconds understand at least one layer plus deeper, some weird aura that tells us who that person really is. And as insanity as it sounds, sometimes, theoretically, that person may not please us. Actually it may cause us nausea with his opinions and thoughts and words... but at some other level, (and maybe this is the well know chemistry), our different human nature meets in a point where we can learn different points of view just by standing next to a stranger who seems a long-time friend. A friendship like that is a wonderful thing  that shines in the good things we carry along life.  And do not mix it with love, it has nothing to do with it. It's not love, it's not sex, it's someone who, different as it is, exists in tunning with us. It sound stupid. And like I said, only few people have that magic. There are so many people, and specially those with whom we get evolved too quickly, that have that characteristic, and we loose them cause things can escalate just too fast, and friendship afterwards is practically impossible, cause passed is always ready to go up. But people are strange and unpredictably even when we think they act according to a few variables. And maybe today, just for today, we can count with someone that we had forgot for a long time, and that we've just met.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3429648780791513396-1168962502591524474?l=paronimas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paronimas.blogspot.com/feeds/1168962502591524474/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3429648780791513396&amp;postID=1168962502591524474' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3429648780791513396/posts/default/1168962502591524474'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3429648780791513396/posts/default/1168962502591524474'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paronimas.blogspot.com/2007/05/people-are-strange.html' title=''/><author><name>[lunatic]</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07153531753622211031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://hgwells.com.sapo.pt/The_Angst____by_Kitto.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3429648780791513396.post-1932675480956254846</id><published>2007-05-14T21:43:00.000Z</published><updated>2007-05-14T23:55:14.962Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>O mundo cá fora é grande demais. É tão confortável que o meu crânio aperta-se em pânico contra os meus pensamentos. Era tão bom se tudo fosse incompleto, e transparente, e descontruido. Como os sonhos que beijamos à noite; como os nossos abraços de pele! Mas os sonhos de que gostamos tanto, apesar de imperfeitos e adoráveis, são também efémeros. Esgotam-se no segundo em que brilham - ou no nosso caso, num par de anos! E quando formos só as cascas, os esqueletos do que somos agora - que interesse teremos? Que interesse vais tu ter em mim, que interesse vou eu ter para mim? Daqui a dois ou três anos, quando os sonhos que tenho tiverem delizado pelo tempo, vai valer a pena?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3429648780791513396-1932675480956254846?l=paronimas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paronimas.blogspot.com/feeds/1932675480956254846/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3429648780791513396&amp;postID=1932675480956254846' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3429648780791513396/posts/default/1932675480956254846'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3429648780791513396/posts/default/1932675480956254846'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paronimas.blogspot.com/2007/05/o-mundo-c-fora-grande-demais.html' title=''/><author><name>[lunatic]</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07153531753622211031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://hgwells.com.sapo.pt/The_Angst____by_Kitto.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3429648780791513396.post-4887352857633367660</id><published>2007-05-08T21:03:00.000Z</published><updated>2007-05-08T21:22:11.511Z</updated><title type='text'>Prisoners</title><content type='html'>&lt;blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object height="350" width="425"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/2DTpFIa_eiE"&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/2DTpFIa_eiE" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" height="350" width="425"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;All prisoners serving life sentences&lt;br /&gt;wait for the earth to suddenly shake&lt;br /&gt;for the walls to somehow suddenly come crumbling, tumbling&lt;br /&gt;and for the bars to somehow magically break&lt;br /&gt;oh there's nothing wrong with them that a thousand books can't fix&lt;br /&gt;that a thousand arms can't hold down&lt;br /&gt;and the ground they're tatooing the stones with cusses like cavemen&lt;br /&gt;your momma was here&lt;br /&gt;they wanna run through the air with no barriers or obstacles&lt;br /&gt;gunmen or guarddogs or priests&lt;br /&gt;and to rise from the mud and start over and over&lt;br /&gt;with the people all dead&lt;br /&gt;uh uh uh uh uh&lt;br /&gt;and hans christian anderson could have had easy his way with me&lt;br /&gt;then none of this shit would have ever gone down&lt;br /&gt;in my cell i'm tatooing myself with mermaids and swallows&lt;br /&gt;and dirt i do swallow&lt;br /&gt;my momma thinks i'm grown but i'm really just little&lt;br /&gt;and someday i will remember&lt;br /&gt;someday i will remember&lt;br /&gt;someday i will remember.&lt;br /&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Adoro esta música -  e a melodia faz-me realmente arrepios na espinha!! Fala sobre os prisioneiros condenados a prisão perpétua, que sonham com a liberdade... que se esqueceram que são crianças, que não aprenderam as lições que Hans Christian Anderson (que por acaso, escreve fábulas sobre a moral humana) ensinava... fala um bocado da esperança, de um futuro qualquer... um dia...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3429648780791513396-4887352857633367660?l=paronimas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paronimas.blogspot.com/feeds/4887352857633367660/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3429648780791513396&amp;postID=4887352857633367660' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3429648780791513396/posts/default/4887352857633367660'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3429648780791513396/posts/default/4887352857633367660'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paronimas.blogspot.com/2007/05/prisoners.html' title='Prisoners'/><author><name>[lunatic]</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07153531753622211031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://hgwells.com.sapo.pt/The_Angst____by_Kitto.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3429648780791513396.post-4928989957085223145</id><published>2007-05-08T20:46:00.000Z</published><updated>2007-05-08T20:50:58.200Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>Ah... a praia. O  sol, o mar, a areia colada nas pernas e a praia. As toalhas ásperas, os bikinis largos, as pernas (mal) depiladas e os cães a correr. A praia, a praia, a praia! A água gélida, as correntes frias, o corneto de chocolate e os olhares tarados. A praia!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Realmente não tenho muito para dizer. A praia cansa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltamos amanhã?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3429648780791513396-4928989957085223145?l=paronimas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paronimas.blogspot.com/feeds/4928989957085223145/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3429648780791513396&amp;postID=4928989957085223145' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3429648780791513396/posts/default/4928989957085223145'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3429648780791513396/posts/default/4928989957085223145'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paronimas.blogspot.com/2007/05/ah.html' title=''/><author><name>[lunatic]</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07153531753622211031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://hgwells.com.sapo.pt/The_Angst____by_Kitto.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3429648780791513396.post-5757221889794946516</id><published>2007-05-07T18:09:00.001Z</published><updated>2007-05-07T22:59:20.184Z</updated><title type='text'>Lábios de Plástico</title><content type='html'>Mordisquei o teu lábio enquanto falavas - e foi aí que descobri - que os teus lábios eram de plástico. Mas no desabrochar do nosso carinho, vi-os claramente com a textura das mangas maduras - com o seu sarapintado vermelho e perfume doce.&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Não, não cheiravas a mangas maduras.&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;Cheiravas a pele, e a suor, e a saliva. E um pouco a beijos (leves, atrás da orelha). Então pus-me em bicos de pés e observei com mais atenção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os teus lábios quietos pareciam um mapa desenhado - mil veios trocados (tocados) e um tom de por do sol. (Mas) ah... se o mundo todo coubesse no espaço que sobra entre os teus lábios e os meus, era pouco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As palavras sabiam a pouco. E tu sabias a muito (pouco).&lt;br /&gt;Há lábios assim, que podia beijar para sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3429648780791513396-5757221889794946516?l=paronimas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paronimas.blogspot.com/feeds/5757221889794946516/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3429648780791513396&amp;postID=5757221889794946516' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3429648780791513396/posts/default/5757221889794946516'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3429648780791513396/posts/default/5757221889794946516'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paronimas.blogspot.com/2007/05/lbios-de-plstico.html' title='Lábios de Plástico'/><author><name>[lunatic]</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07153531753622211031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://hgwells.com.sapo.pt/The_Angst____by_Kitto.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3429648780791513396.post-6072758491717134064</id><published>2007-05-07T18:08:00.000Z</published><updated>2007-05-07T23:14:44.215Z</updated><title type='text'>A Sombra do Samurai</title><content type='html'>Ainda estou na ressaca deste filme. Quem me conhece sabe que a ressaca ainda demora um bocadinho, e entretanto fico completamente impávida, como que mergulhada na sua atmosfera.&lt;br /&gt;E como não??&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sombra do samurai é um filme verdadeiramente a não perder. Desde todo o ambiente que envolve a história - Japão antes da união - que foi incrivelmente construído - as casas, o vestuário, etc; até à história de um homem como nunca tinha visto retratado - que apesar da sua indubitável masculinidade, escolhe ter uma vida mais difícil para poder ver as filhas crescer, de perto. Talvez não seja muito realista. Mas é a história de um homem que, sem muitas ambições e sem ter uma vida dentro dos padrões em que engaiolamos a felicidade, é sortudo. Porque tem uma vida rica de experiências, porque luta pelo que acredita, porque é honrado  - não nos padrões dos outros, mas naqueles do seu coração. É um drama -é. Mas um drama de coragem. Não esperem um filme de acção e luta - esperem comover-se com cada embate da espada, com cada passo da personagem. Mesmo o confronto mortal é um momento de reflexão e surpreende a cada milésimo de segundo - não é pelo meu deslumbre, mas este filme é dos melhores que já vi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A não perder. Pela história tocante, pelo cenário, pelo pouco conhecimento que o ocidente, tão deslumbrado com o Oriente, tem das suas estórias.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3429648780791513396-6072758491717134064?l=paronimas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paronimas.blogspot.com/feeds/6072758491717134064/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3429648780791513396&amp;postID=6072758491717134064' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3429648780791513396/posts/default/6072758491717134064'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3429648780791513396/posts/default/6072758491717134064'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paronimas.blogspot.com/2007/05/sombra-do-samurai.html' title='A Sombra do Samurai'/><author><name>[lunatic]</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07153531753622211031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://hgwells.com.sapo.pt/The_Angst____by_Kitto.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3429648780791513396.post-1324812546134097225</id><published>2007-05-07T17:08:00.000Z</published><updated>2007-05-07T23:04:16.094Z</updated><title type='text'>O Desvio</title><content type='html'>Há quem diga que temos uma relação especial com o absoluto. Que somos a imagem do Eterno. E há quem diga que somos mais uma bactéria a tentar sobreviver. De qualquer das formas, porque somos como somos, porque alguém nos fez assim, ou porque as evolução, e as épocas, nos construíram e desconstruíram em desvios normalizastes do que é - só mais uma espécie?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se ser diferente é ser o desvio, ser o normal não foi também já o desvio de alguma coisa?&lt;br /&gt;Porque se nada no mundo é completamente original a partir da eclosão do "tudo", não são todas as coisas reacção e ao mesmo tempo desvio - ou seja o desvio não é normal?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3429648780791513396-1324812546134097225?l=paronimas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paronimas.blogspot.com/feeds/1324812546134097225/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3429648780791513396&amp;postID=1324812546134097225' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3429648780791513396/posts/default/1324812546134097225'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3429648780791513396/posts/default/1324812546134097225'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paronimas.blogspot.com/2007/05/ol.html' title='O Desvio'/><author><name>[lunatic]</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07153531753622211031</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://hgwells.com.sapo.pt/The_Angst____by_Kitto.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
